Ano começou com desemprego no jornalismo dos EUA

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Los Angeles Times – maior jornal do país fora da Costa Leste -, que demitiu 20% de sua redação, num total de 115 pessoas - fachada do prédio do jornal - foto: divulgação
Los Angeles Times – maior jornal do país fora da Costa Leste -, que demitiu 20% de sua redação, num total de 115 pessoas - fachada do prédio do jornal - foto: divulgação

A nova vítima é o “Los Angeles Times”, cuja redação foi bastante esvaziada e é uma das razões da análise de Carlos Eduardo Lins da Silva

Carlos Eduardo Lins da Silva
Rádio USP

O ano que acaba de entrar não começou bem para o jornalismo, principalmente nos Estados Unidos, onde o cenário exibe um grande número de demissões em veículos importantes, como o Los Angeles Times – maior jornal do país fora da Costa Leste -, que demitiu 20% de sua redação, num total de 115 pessoas. A sucursal que o jornal possuía em Washington foi praticamente extinta.

A mesma situação se deu na revista Time e na National Geographic, entre outros veículos citados pelo colunista Carlos Eduardo Lins da Silva em sua primeira coluna do ano. Nas palavras do colunista, “a imprensa norte-americana vive um momento terrível”, o que apenas reforça um cenário que já vinha mal desde o final de 2023, quando várias empresas jornalísticas importantes também demitiram seus profissionais. A coisa é tão grave que foi batizada de “banho de sangue” pelos meios jornalísticos da terra do Tio Sam.

Soluções que pareciam promissoras, ao serem formuladas, não tiveram efeito positivo na prática, caso da proposta dos “mecenas esclarecidos”, que envolvia a compra de jornais por milionários. Além de a ideia não ter decolado como se esperava, abriu espaço para que “alguns milionários agora estejam querendo entrar no negócio do jornalismo para praticar o antijornalismo”.

Lins da Silva cita como exemplo dessa prática o Baltimore Sun, comprado recentemente pelo milionário da mídia televisiva, David Smith, que logo na primeira reunião com sua equipe insultou os jornalistas, por entender que estes entregavam um péssimo produto. De acordo com Lins da Silva, o desejo de Smith é seguir a linha do antijornalismo, bem aos moldes do tipo de jornalismo do qual Donald Trump é adepto.

“Agora, o que é possível ainda ser uma das soluções é a dos milionários que resolvam dar uma quantia razoavelmente grande para que gere dividendos e mantenha um jornal independente durante muito tempo, como fez, aqui no Brasil, João Moreira Salles com a revista Piauí e como já há muitas décadas se faz na Inglaterra com o jornal The Guardian“, prega o colunista. Para este, todavia, a única solução definitiva seria apelar para uma legislação “que faça com que as grandes companhias de tecnologia, Facebook e Google principalmente, paguem parte daquilo que ganham às custas do jornalismo para os veículos poderem continuar fazendo jornalismo independente, legislação que já foi aprovada na Austrália, está sendo aprovada no Canadá e inclusive, aqui no Brasil, existe um movimento nesse sentido”, finaliza Lins da Silva.

Horizontes do Jornalismo

A coluna Horizontes do Jornalismo, com o professor Carlos Eduardo Lins da Silva, vai ao ar quinzenalmente, segunda-feira às 8h30, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.

Fonte: Jornal da USP

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