Não se acaba com o jornalismo. A não ser que o mundo acabe

Não se acaba com os dias. Não se acaba com as noites. Ninguém para o mundo, ninguém impede os minutos e os segundos, ninguém controla tudo. Não se acabam as vidas, as causas, as consequências, os fatos e as notícias, não se pode tudo.

Ainda que os tempos sejam fáceis ou difíceis, ainda que as vozes sejam altas ou inaudíveis, ainda que a censura seja a manchete mais visível, não se pode tudo. Não se controla o mundo. Não há poder, por mais poder, que possa ser completamente absoluto. Não se decreta o indecretável, não se decreta que olhos sejam cegos e ouvidos sejam surdos. Ninguém pode tudo.

Querem que nós, jornalistas, de todos os lugares deste país, sejamos inviáveis, imóveis, impraticáveis, inexistentes. Querem que uma medida provisória, na covardia mais tacanha do autoritarismo, decrete o fim do jornalismo, das notícias, das denúncias, das descobertas e dos furos. Que as pautas sumam das TVs, das rádios, do dia a dia de milhões que vivem e morrem nesse pedaço de chão da América do Sul.

Querem acabar com o jornalismo para normalizar o absurdo. Querem acabar com o jornalismo para que o poço realmente não tenha mais fundo. Eles querem o nosso fim. Mas eles não podem querer tudo.

Resistiremos porque resistirão os dias e as noites, a sociedade e seus contrastes, as mentiras, mas sobretudo as verdades, as igualdades e desigualdades. Resistiremos porque os ditadores podem até controlar, às vezes, o que se conta. Mas não podem controlar o que se sabe. Continuaremos a saber, a cobrir, a apurar, a divulgar, a criticar, a fazer a parte que nos cabe.

Porque isso é o que queremos. Porque isso é o que gostamos. Porque não há decreto, nem medida provisória, nem prisão, nem tortura que nos pare. Não se acaba com o jornalismo porque ele é maior do que nós. Uma flor revolta, sob o concreto, que até pode ser cortada, mas que sempre nasce.

Hoje estamos aqui, em defesa do registro da nossa profissão e, ainda mais, em defesa dos que mais precisam de nós. Eles não querem, mas o jornalismo continuará ao lado dos mais fracos, dos que não têm voz ou foram silenciados pelo poder do dinheiro ou da violência. Nosso lado é o dos oprimidos, das mulheres, dos negros, dos indígenas, dos trabalhadores, da população LGBT, das vítimas da exclusão social, de quem precisa de um contraponto diante da tirania dos covardes.

O bom jornalismo é o bom combate. O nosso compromisso é a verdade. Não há como nos tirar do ar. Não há nenhuma borracha ideológica que nos apague. Hoje estamos aqui para dizer que seguimos, que lutamos, que estaremos na ativa, informando, incomodando, fazendo jornalismo por toda parte.

Não se acaba com o jornalismo. A não ser que o mundo acabe.

Vamos à luta!

Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais

Belo Horizonte, 4 de dezembro de 2019.

 

#LutaJornalista

#SindicalizaJornalista

[4/12/19]

 

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