Ato no Sindicato lança Rede de Apoio às Ocupações em Defesa da Educação Pública em MG

O Sindicato dos Jornalistas será sede nesta sexta-feira 28/10, às 19h, de um ato de solidariedade às ocupações de escolas que estão sendo feitas em Minas Gerais e todo o país por estudantes secundaristas. Participarão do ato, além de jornalistas, professores, pais e mães de alunos, sindicalistas, representantes de movimentos sociais e da sociedade em geral.

“A ideia é criar uma rede de apoio à importante iniciativa dos estudantes, que são os que mais têm se mobilizado contra o golpe, a PEC 241 e a reforma do ensino médio”, explica o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Kerison Lopes. “Neste momento tão sombrio da história do Brasil, são os mais jovens que nos enchem de esperança e nos dão o exemplo. Não podemos deixar nossas crianças sozinhas, principalmente quando aumenta a repressão e a PM faz desocupações em vários estados”, conclama. A solidariedade poderá se expressar com doações de alimentos, que estão fazendo falta aos estudantes.

Professores

Entre os sindicatos que já manifestaram adesão à rede de solidariedade está o SindUTE – Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais, que representa os trabalhadores em educação pública estadual e municipal de Minas. A presidente do SindUTE, Beatriz Cerqueira, considera as ocupações legítimas e fundamentais na resistência ao ataque à educação que está sendo feito pelo governo federal.

“Os professores são não só solidários a elas, mas partícipes, indo às ocupações, participando delas, se posicionando a favor das suas lideranças e articulando redes de solidariedade”, informa Beatriz, a principal liderança dos professores públicos de Minas Gerais.

Ela acrescenta que as mães e os pais dos estudantes também têm participado das ocupações, em apoio aos filhos, e que todo o processo “é muito pedagógico”. “As ocupações mostram a força da articulação coletiva e sua capacidade de se multiplicar. Isso é tudo que o capitalismo não quer”, destaca.

Exemplo dessa solidariedade é a secundarista paraense Ana Júlia Ribeiro, de 16 anos, cujo discurso na Assembleia Legislativa daquele estado, na quarta-feira 26/10, viralizou na internet, aumentando a solidariedade ao movimento estudantil. O discurso emocionado e belíssimo, que calou a Assembleia e demonstrou lucidez impressionante, foi acompanhado pelos pais de Ana Júlia, que apoiam o movimento da filha e dos seus colegas.

Em Minas

O vídeo, que pode ser visto aqui: https://www.youtube.com/watch?v=NfJ7F3UOaUs, incentivou novas ocupações em Minas, ao reafirmar a legitimidade do movimento, segundo a presidente da União Colegial de Minas Gerais (UCMG), Késsia Teixeira. Ela informa que já são 75 ocupações no estado, sendo 65 em escolas estaduais e 10 em institutos federais; em todo o país são 1.119. A cidade mineira com maior número é Uberlândia, seguida de Belo Horizonte.

A primeira ocupação aconteceu na Escola Estadual Governador Milton Campos, mais conhecida como Estadual Central, na capital, há quase um mês. Em algumas escolas as aulas foram paralisadas, em outras continuam normalmente. Em todas os estudantes desenvolvem atividades como oficinas e dividem tarefas para manter o funcionamento da escola, com apoio de professores e pais.

“Pais e professores estão nos apoiando massivamente, mas a luta tem que ser protagonizada pelos estudantes”, diz Késsia. Ela informa também que os estudantes foram procurados pelo TRE-MG e fizeram acordo para garantir a realização do segundo turno das eleições em escolas ocupadas, neste domingo 30/10. “Decidimos que estamos defendendo nosso direito, mas não vamos atrapalhar o direito dos outros e não faremos manifestação no dia da eleição”, explica.

Késsia acredita que a rede de solidariedade é muito importante, pois a luta dos estudantes é a mesma dos sindicatos e movimentos sociais. “As ocupações precisam da força das pessoas de fora para crescer e se fortalecerem. Ainda temos dificuldade de estrutura, precisamos de apoio na comunicação, de advogados para defenderem os estudantes.”

27/10/16

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