Jornalista Fernando Lana morre aos 72 anos

O jornalismo mineiro perde mais um de seus integrantes para a covid-19. Fernando Lana, 72, faleceu ontem (1/6), no
hospital São Lucas, na capital mineira, depois de passar uns dias internado tentando vencer a doença. O sepultamento foi hoje em Conselheiro Lafaiete.

Lana tinha tinha 72 anos e trabalhou no “Jornal de Minas”, “Estado de Minas”, “Diário do Comércio”, nas sucursais da “Folha de S. Paulo” e “O Globo”, e nas emissoras Globo e Alterosa, além de ter passado pelas assessorias de imprensa das secretarias de Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento Econômico.

No Facebook, sua última publicação foi feita no dia 8 de abril. Era a atualização de sua foto de perfil, em que ele exaltava o orgulho de ser jornalista, profissão cuja data comemorativa é 7 de abril. Nas redes sociais, muitos colegas de profissão lamentaram sua morte.

Lana era considerado um professor por uma geração de jornalistas recém formados que passaram pelo Diário do Comércio por sua paciência em ensinar e orientar os iniciantes.

Com a morte de Lana, já são 12 o número de jornalistas, a maioria aposentados, vítimas da Covid-19 no estado, desde a decretação oficial da pandemia, em março do ano passado, segundo levantamento feito pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG).

Lana era sindicalizado desde 1983.

O SJPMG lamenta mais uma perda para o coronavírus e se solidariza com a família do jornalista.

Vá em paz, Lana.

Confira abaixo depoimentos dos amigos sobre Fernando Lana

Marta Vieira
Aquela redação de meados dos anos 1985 do Diário do Comércio parecia ser a extensão da casa de Fernando Lana. Ele fazia falta e o trabalho não fluía ao mesmo ritmo se ele não estivesse lá observando as nossas reações durante uma entrevista, mesmo que por telefone, e já chegando com comentários pertinentes, e, invariavelmente, críticos sobre nossa conduta na apuração e sobre algum assunto do dia. Foi professor da minha geração de jovem repórter ávida pela experiência que transbordava nele, após ter passado por grandes jornais, como a Folha de S. Paulo. Cobrava compromisso com o que a gente apurava, cutucava quem não se esforçava na avaliação crítica das informações dadas pelas fontes. Todo o tempo nos lembrava de que a árvore tomada como mote da matéria tinha de ser um elo para nos levar à descoberta da floresta, ela sim a explicação do assunto transformado em notícia. Fosse o tema um simples projeto de expansão de uma grande companhia de Minas, fosse uma denúncia de licitação estranha feita por uma secretaria de desenvolvimento, era essa a lição dele. Como assessor de imprensa, também preservou sua dignidade de não negar respostas e demonstrava batalhar para quebrar a burocracia e as resistências nos gabinetes pelos dados que buscávamos. Não tinha preocupação em agradar ninguém e com seu jeito ríspido afastava muita gente, mas aqueles que o conheceram de perto desfrutaram de ótima convivência, a despeito dos arroubos e das diferenças, inclusive políticas, ao longo da vida. Deixará saudades e referência de um jornalismo verdadeiro, e difícil de ser praticado hoje.

Fernando Magaldi
Fernando Lana foi um dos amigos que conquistei ao longo dos anos. Era um grande ser humano, solidário e disponível. Conheci Lana na cobertura diária, ele em O Globo e eu estagiário no Jornal do Brasil, no final dos anos de 1970. Depois, trabalhamos juntos em O Globo, Folha de S. Paulo e Diário do Comércio. Nossas diferenças ideológicas, se nos levaram a discussões, não nos impediram de cultivar uma amizade que perdurou e era de respeito mútuo.

Cristina Fonseca
Soube agora do falecimento do inesquecível Fernando Lana. Foi fundamental para o meu aprendizado no jornalismo. Quando entrei no “Diário do Comércio”, ele era o editor-chefe e eu apenas uma profissional recém-formada. Foi um grande professor e exemplo de jornalista. Sempre ético, correto, atualizado e um líder. Infelizmente, a Covid nos faz perder mais uma pessoa que era muito estimada. Meus sinceros sentimentos aos familiares e amigos. Que Deus esteja com todos e Lana seja recebido com muita luz no mundo espiritual.

Alexandre Salum
Meus sentimentos à Getúlia e à Fernanda. Excelente profissional, ótimo caráter e uma pessoa muito generosa. Trabalhamos juntos no início de carreira, nos anos de 1980, na Rede Globo e duas décadas depois, tive a honra de ser chefiado por ele na Secretaria de Ciência e Tecnologia. Serei sempre grato.

Bianca Gianinni
Na minha carreira no jornalismo tive professores muito generosos. Um deles guardo com muito carinho no coração: Fernando Lana. Acabo de saber que hoje ele perdeu a batalha para a Covid. Que triste. O Lana era editor-geral do “Diário do Comércio” quando cheguei recém saída da faculdade. Ele era cabeça dura, ranzinza. Um coração enorme e um humor muito único. Me ensinou a escrever. Tenho enorme gratidão por você, Lana. Vá com Deus, meu querido. Siga a sua jornada. Que a espiritualidade amiga o ampare nessa passagem. Obrigada!

Patrícia Duarte
Triste com essa notícia. Mais uma vítima do descaso deste governo. Está ficando insuportável. Por mais que discordasse dele, foi um bom colega de trabalho. Lamento profundamente. Meus sentimentos pra família.

Nairo Alméri
Muito triste. Trabalhamos juntos na sucursal de “O Globo”. Minha passagem foi curta, de 30 dias, mas consolidamos longa e respeitosa amizade. Meus sentimentos aos familiares e amigos.

Geraldo Guimarães
Jornalista amigo de longa data. Companheiro, repórter de longas jornadas juntos. Figura excepcional, de apoio e de ajuda no dia a dia. Vai fazer falta. Meus sentimentos a toda a família.

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Um comentário

  1. Muito orgulho do meu pai! Obrigada a tod@s pelos depoimentos e pelo Sindicato pela matéria.

    Meu pai amava o jornalismo, os colegas, a redação, as histórias, a escrita, as perguntas e o pensamento crítico. Me ensinou tudo isso muito bem! Só amor e dedicação!

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