Câmara de Vereadores de Ouro Preto faz representação contra extinção da Rádio Inconfidência

A Câmara Municipal de Ouro Preto, em nome da comunidade, encaminhou ao governador Romeu Zema uma representação na qual externa sua preocupação e discordância em relação à decisão de extinguir a Rádio Inconfidência. Apresentada pelo vereador Chiquinho de Assis, do PV, a representação afirma que muitos moradores da cidade estão preocupadas “com o fim desse canal de interlocução”.

“É função, sim, do Estado estabelecer um canal que permita que as pessoas conversem através dos meios de comunicação”, afirma a representação. “Não compactuamos com a premissa que a função do Estado seja mínima neste sentido, porque a comunicação pública é um direito civil dos cidadãos e deve ser constituída de maneira democrática e plural como tem sido na Rádio Inconfidência nos últimos anos”, continua.

O documento afirma que a Rádio Inconfidência é patrimônio dos mineiros e não pode estar ligada a nenhum partido, a nenhum governo. “Ela é do povo de Minas Gerais e deve permanecer dessa forma”, enfatiza, lembrando que “o Conselho Estadual do Patrimônio e Cultura de Minas Gerais recentemente abriu um processo para o tombamento da emissora como patrimônio histórico, tamanha é a sua importância para a memória do país, assim como para a cultura brasilera”.

A representação lembra ainda que a Inconfidência FM e a Inconfidência AM cumprem papéis diferenciados, sendo que “a Brasileiríssima (FM) tem a função de fomentar a cultura em Minas Gerais”, enquanto a “Gigante do Ar (AM) é uma rádio de serviços, também muito importante por informar e dar espaço a vários grupos da sociedade”.

O documento cita a tradicional BBC, rádio inglesa reconhecida como uma das melhores do mundo, para afirmar que o Estado tem função de difundir o patrimônio cultural e alimentar as redes culturais e artísticas, papel desempenhado em Minas Gerais pela Inconfidência.

“A Rádio Inconfidência cumpre esse papel hoje de ser um canal de cidadania ativa que não pode ser perdido”, afirma o texto. “A Inconfidência tem a função de abrir espaço para grupos diferentes e alimentar a economia cultural”, acrescenta, enfatizando ainda que somente uma rádio pública faz isso.

“A Inconfidência é parte de Minas Gerais, parte da vida de nossos pais e avós. Ela conversa com a sociedade desde 1936 e é um patrimônio dos mineiros. Não pode acabar. Esperamos que o governo entenda essa importância e volte atrás nessa estapafúrdia decisão”, encerra o documento.

A representação também foi encaminhada ao secretário de Cultura e Turismo de Minas, Marcelo Mate, ao presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Agostinho Patrus, ao Conselho Estadual de Política Cultural e ao Conselho Estadual do Patrimônio e Cultura de Minas Gerais.

 

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[23/5/19]

 

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