Jornalistas da RAC completam seis meses de greve em Campinas

A greve dos jornalistas da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC), de Campinas, completou 183 dias nesta quinta-feira 16/8. Os profissionais paralisaram as atividades em 14 de maio contra atrasos nos salários desde janeiro. Há mais de dois anos eles enfrentam problemas com o pagamento.

Em 9 de maio, os grevistas conquistaram vitória no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15/Campinas). Por unanimidade, a Corte reconheceu a legitimidade da greve e determinou à RAC quitar integralmente os débitos acumulados com os trabalhadores.

Na avaliação de Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, “a decisão da Justiça confirma o caráter justo da paralisação”. Ele comenta: “É uma greve por salários. Os profissionais trabalharam e não receberam. Os atrasos constantes desestabilizam o trabalhador que conta com o dinheiro. Muitos até adoeceram”.

O prazo para quitação da dívida terminou dia 24 de maio, mas a empresa ingressou na Justiça com embargos, recurso jurídico pelo qual a Rede pede esclarecimentos sobre a sentença, a fim protelar o cumprimento da decisão judicial.

“Com os embargos, a ação movida pelo Sindicato dos Jornalistas volta ao Tribunal para que o TRT se manifeste”, conta Agildo Nogueira Júnior, diretor da Regional Campinas da entidade de classe.

RAC – A rede é proprietária dos jornais Correio Popular, Notícia Já e Gazeta de Piracicaba, além das revistas Metrópole, VCP News e do portal RAC.com. A greve é apenas dos jornalistas que trabalham em Campinas. Dos cerca de 40 profissionais da redação, 20 estão de braços cruzados.

“Os atrasos nos pagamentos de salários, benefícios e férias ocorrem desde o final de 2015. A RAC descontou os dias parados e suspendeu o vale-alimentação dos trabalhadores em greve, demitiu uma trabalhadora administrativa, contratou estagiários e sobrecarregou de trabalho os que permaneceram na redação, em clara atitude antissindical”, critica Agildo Júnior.

Campanha – Para garantir renda emergencial aos grevistas, o Sindicato criou um fundo de greve e a Regional Campinas realizou eventos para arrecadar recursos e cestas básicas aos jornalistas da RAC, como a “Galinhada Solidária”, o “Som da Resistência” e o “Bazar da Amizade”.

“Nós temos dois caminhos. O da negociação com a empresa e o da Justiça. Esperamos que o Tribunal julgue os embargos após o recesso e que a RAC aceite negociar, mas com uma proposta que solucione de vez o impasse”, comenta Agildo.

Bastião conservador – Nos últimos anos, a RAC tem radicalizado a linha editorial moralista. Alinhado aos setores mais agressivos do tucanismo campineiro, seu principal veículo, o Correio Popular, expeliu bílis meses seguidos frente aos escândalos do petrolão e outros. Colunistas mansos carregam no adjetivo quando o alvo são os adversários do patrão.

(Publicado pela Agência Sindical.)

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[17/8/18]

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