Sindicato pede mediação do Ministério do Trabalho para demissões no Diário do Rio Doce

O Sindicato está em contato com os jornalistas dispensados pelo Diário do Rio Doce, de Governador Valadares, na sexta-feira passada 4/11 e auxilia na ação jurídica movida contra a empresa pelos trabalhadores. O Sindicato também solicitou à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego uma reunião de mediação com a empresa, para esclarecimento da situação do jornal e das suas dívidas com os jornalistas.

O Diário do Rio Doce é um jornal tradicional de Governador Valadares, fundado em 1958, e integra o Sistema Leste de Comunicação, grupo de comunicação presidido por Edison Gualberto e Getúlio Miranda, que engloba a TV Leste, Rádio Globo, Imparsom, TV Rio Doce e outras rádios da região, segundo informações da sua página no Facebook.

Há muitos anos era de conhecimento dos jornalistas que a empresa estava endividada, mas os salários nunca tinham atrasado. Em 2014 a empresa parou de recolher o FGTS. Logo depois os salários passaram a atrasar – primeiro cinco dias, depois dez, depois vinte, depois um mês, dois. Em outubro deste ano, os trabalhadores receberam o pagamento do mês de agosto.

O jornal mudou de sede, transferindo-se do prédio alugado que ocupava para um conjunto de salas de sua propriedade. Os próprios jornalistas fizeram a mudança dos equipamentos e os instalaram na nova sede.

Há cerca de duas semanas, a situação dos trabalhadores ficou insustentável. Sem dinheiro para pagar as contas, obrigados a fazer dívidas e literalmente pagando para trabalhar, os jornalistas decidiram paralisar o trabalho, quando foram informados de que não havia previsão de data para pagamento dos salários de setembro. O jornal deixou de circular durante dois dias, os trabalhadores compareceram ao trabalho, mas não trabalharam, sem que a empresa sequer os procurasse para conversar.

Na sexta-feira 4/11, os jornalistas foram chamados à gerência e comunicados de que estavam sendo dispensados. Um advogado recém-contratado pela empresa ofereceu a eles um acordo pelo qual renunciariam a parte dos seus direitos para receber, em troca, o acerto dividido em nove parcelas mensais. Eles temem, porém, que nem este acordo seja cumprido pela empresa.

Na sua página no Facebook, o DRD, como é conhecido o jornal, informa que emprega “80 funcionários que atuam na redação, comercialização, administração, impressão e entrega do jornal”. São três editores, cinco repórteres, três estagiários, três fotógrafos, três revisores e sete diagramadores, além de 23 articulistas colaboradores e três colunistas contratados. A lista de pessoal inclui ainda uma webdesign, um superintendente e mais três funcionários na administração.

9/11/16

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Um comentário

  1. Só existem agora, na Redação e Diagramação, um editor, estagiários, revisores e funcionários da montagem. Não tem mais a webdesign, já que a edição on-line não está sendo publicada. Na gráfica e setor de expedição também foram feitos diversos cortes de pessoal. Quem ficou provavelmente está fazendo o serviço de quem saiu.

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