Muita gente acha que a renovação é uma condição absoluta para o sucesso de qualquer instituição. Nós também acreditamos que uma instituição que não se renova está fadada ao fracasso. Porque, mais cedo ou mais tarde, será superada pelo novo. Nós, da chapa “Resistência, Jornalista”, que se apresenta para dirigir o Sindicato dos Jornalistas no triênio 2026-2029, acreditamos na renovação.
Mas defendemos também a continuidade. Porque defender a continuidade é dar prosseguimento a uma série de projetos e decisões que, pouco a pouco, gestão após gestão, estão tirando o Sindicato dos Jornalistas de Minas da situação caótica em que ficou logo após a reforma trabalhista, de 2017.
Não se pode dizer que a situação hoje é tranquila, mas uma série de decisões tomadas na atual gestão e nas gestões anteriores fortaleceram o Sindicato dos Jornalistas, dando à instituição condições de melhor atuar em defesa dos jornalistas, do jornalismo e da liberdade de expressão.
Por isso é que a proposta da chapa “Resistência, Jornalista” tem como pontos centrais a renovação e, ao mesmo tempo, a continuidade, com a jornalista Lina Rocha à frente do Sindicato dos Jornalistas de Minas por mais um mandato. A chapa consolida também uma efetiva presença das mulher jornalista à frente da instituição, que se iniciou com Dinorah do Carmo, passou por Eneida da Costa e Alessandra Melo, até chegar em Lina Rocha.
Abaixo, confira o balanço das principais realizações da atual diretoria da instituição:
Contas em dia
A reforma trabalhista quase significou o fechamento do Sindicato, que, da noite para o dia, se viu sem suas principais fontes de receita, que eram o Imposto Sindical e a Taxa Negocial. O Imposto Sindical era cobrado anualmente de todos os jornalistas, fossem eles sindicalizados ou não. A Taxa Negocial era cobrada por ocasião das negociações salariais, na data base.
Sem estes recursos, o Sindicato foi obrigado a dispensar praticamente todos os funcionários que tinha, pois o dinheiro que entrava mal dava para pagar as despesas mensais de funcionamento da instituição. Não fosse a gestão de Alessandra Mello, que teve continuidade na gestão que ora se encerra, de Lina Rocha, nosso Sindicato não existiria hoje.
Para compensar as receitas perdidas, a direção anterior, e a atual, investiram pesadamente no aluguel do espaço da Casa para a realização de eventos, bem como da área ao fundo, onde, durante muito tempo, funcionou a Casa Matriz. Também para reforçar o caixa, entrou a decisão do STF de setembro de 2023, que voltou com a cobrança da Taxa Negocial.
A dispensa dos funcionários gerou um passivo trabalhista elevado, que hoje está praticamente zerado, graças aos vários acordos feitos. Isso deu uma tranquilidade à instituição, uma vez que, enquanto sindicato de trabalhador, o SJPMG não pode ter dívidas com seus funcionários.
Hoje, além de praticamente não ter dívidas, o Sindicato tem em caixa um saldo. Para uma instituição que quase fechou as portas, trata-se de algo a ser comemorado. Uma grande vitória, fruto da continuidade.

Defesa da categoria
Mesmo desfalcado de funcionários, o Sindicato dos Jornalistas de Minas seguiu em frente na defesa dos profissionais da imprensa. E conseguiu vitórias importantes. Uma delas foi a ação coletiva movida contra o Hoje em Dia, que, em 2016, demitiu 36 jornalistas sem pagamento de rescisão. Alguns deles foram demitidos na própria casa, pelo RH.
Para garantir o pagamento dos valores devidos a cada jornalista, o Sindicato de Minas, juntamente com advogados do Espírito Santo e Rio de Janeiro que também tinham causas contra o dono do jornal, Ruy Muniz, fez um cerco aos bens do empresário, que não teve outra alternativa e fechou um acordo que garantiu o pagamento dos valores devidos aos jornalistas do Hoje em Dia.
A vitória contra o Hoje em Dia foi um processo que começou na gestão de Kerisson Lopes, teve continuidade na de Alessandra Mello e se encerrou na de Lina Rocha.
O Sindicato foi vitorioso também na ação coletiva movida contra a Rádio Inconfidência pela não negociação de acordos coletivos durante os anos de 2021 e 2022. Para não pagar, o Estado tentou usar a Lei de Responsabilidade Fiscal, tese que o juiz não acatou, porque se a empresa não iria dividir o lucro, não era justo que viesse a dividir o prejuízo. A ação já chegou ao seu final e todos os jornalistas receberam os valores devidos.
Em relação à Empresa Mineira de Comunicação (EMC), da qual a Rádio Inconfidência e também a Rede Minas fazem parte, o Sindicado dos Jornalistas atuou no combate a perseguições, assédios e uso político-ideológico das duas emissoras, conseguindo a abertura de um inquérito civil no Ministério Público do Trabalho visando apurar várias denúncias de práticas de assédio moral; realizou várias audiências públicas sobre o tema na Assembleia Legislativa de Minas; e fez a publicação de notas e matérias sobre o desmonte promovido nas emissoras pelo Governo Zema. Além de colaborar com várias matérias locais e nacionais que denunciaram uma mudança na programação voltada para propaganda político/partidária.
O Sindicato atuou também na defesa de condições seguras para o exercício da profissão. O caso mais emblemático foi o do acidente em que morreram a repórter Alice Ribeiro, de 35 anos; e o cinegrafista Rodrigo Lapa, de 49, da Band Minas, no dia 15 de abril, na BR-381, em Sabará. O acidente expôs a precarização das condições de trabalho dos jornalistas, uma vez que o carro era dirigido pelo cinegrafista, quando o correto seria a equipe ter um motorista.
Para evitar que situações como esta voltem a ocorrer, o Sindicato encaminhou denúncia ao Ministério Público do Trabalho e realizou debate, em sua sede, sobre a precarização das condições de trabalho dos jornalistas.
Em duas outras frentes, Sindicato dos Jornalistas trabalhou pela votação da PEC do diploma e se posicionou contra a lei aprovada pelo Congresso que cria a figura do profissional de multimídia, que contribuiu para precarizar ainda mais o trabalho dos jornalistas.
A PEC que restaura a obrigatoriedade do diploma não chegou a ser votada, mas para pressionar os parlamentares mineiros para que isso ocorresse, o Sindicato fez contatos com todos eles, explicando o sentido da volta do diploma e pedindo que trabalhassem para a que PEC fosse colocada em votação.
A lei que cria o profissional de multimídia é ruim para o jornalismo porque gera a sobreposição de funções e a flexibilização de direitos. A lei define o profissional multimídia como alguém que cria, produz, edita e distribui conteudos de texto, imagem e som, usurpando atividades essencialmente jornalísticas e permitindo que não-jornalistas exerçam funções típicas da profissão.
Nos dois casos (PEC do Diploma e Lei do Multimídia) a atuação é em conjunto com a Fenaj.
Para reforçar a frente de luta da Justiça, o Sindicato dos Jornalistas retomou, em março de 2025, o contrato com o advogado Luciano Marcos, que havia sido interrompido na gestão anterior por absoluta falta de recursos. Porém, mesmo sem receber, Luciano Marcos prestava uma orientação ao sindicato.
Ocorre que sua presença no dia-a-dia é muito importante para a entidade, que, diariamente recebe pedidos de orientação sobre questões trabalhistas. Foi por isso que a atual gestão decidiu voltar a remunerá-lo, tento em vista que a situação financeira do sindicato estava mais sólida. Ter um advogado contratado é importante no dia-a-dia, mas também por ocasião das negociações coletivas, pois ajuda a identificar nos textos das convenções a serem assinadas, itens que podem significar prejuízos aos trabalhadores.
Nova identidade visual
O fortalecimento do Sindicato dos Jornalistas, além das inúmeras vitórias obtidas na área trabalhista, passou por uma mudança na sua identidade visual a partir de dezembro de 2025. A direção da entidade considerou que a identidade visual anterior, que tinha uma pena de escrita como símbolo, não estava em sintonia com os tempos atuais.

A pena remetia ao século 19, a uma época anterior, inclusive, à máquina de escrever. E era também uma barreira ao trabalho de renovação da entidade, de forma a conseguir atrair os jornalistas mais jovens. A nova identidade remete à ideia das aspas, de um bloco de anotações e também de um celular.
Além da identidade visual, o Sindicato ganhou um estatuto reformulado, com a criação de diretorias mais alinhadas com a realidade, a inclusão da Comissão de Ética na estrutura do sindicato e o enxugamento do processo eleitoral, que, a partir deste ano, será totalmente on-line.
Refiliação à Fenaj
Na conta da crise financeira gerada pela reforma trabalhista também está a desfiliação do Sindicato dos Jornalistas de Minas à Federação Nacional dos Jornalista (Fenaj), da qual sempre participou. A desfiliação se deu pela absoluta falta de recursos para o pagamento da contribuição financeira que é devida por todo sindicato de jornalistas filiado à Fenaj.
O Sindicato de Minas considera essa parceria fundamental para que a luta em defesa do jornalismo e dos jornalistas se dê também em nível nacional, de forma coletiva e organizada. Além disso, a Fenaj presta aos sindicatos filiados um apoio importante em questões localizadas e relacionadas a cada sindicato. Por isso decidiu, ano passado, retomar a filiação à Fenaj com o pagamento da taxa mensal, que passou a ser possível graças à melhoria das condições financeiras do Sindicato dos Jornalistas.
Modernização administrativa
Por trás da atuação política e sindical, existe uma estrutura administrativa que carecia de modernização há anos. Na área de gestão, isso se deu com a troca do banco de dados original, no qual estavam arquivados os nomes de todos os associados por um atual, pelo Sindsystem, que é voltado para a gestão de sindicatos e pode ser acessado de qualquer local pela internet, o que também contribui para melhorar a gestão administrativa do Sindicato dos Jornalistas.
A mudança tornou mais simples a inserção e a busca dos nomes dos jornalistas associados E também possibilitou a emissão automática de boletos para o pagamento das anuidades, que antes, para ser feita, dependia que o associado fosse ao sindicato fazer o pagamento.
Agora, com o boleto, ele pode fazer o pagamento de casa, pela internet. A emissão dos boletos teve um significado que vai além do ganho financeiro: fez com que vários associados que estavam distantes, ao receberem a cobrança manifestassem o desejo de retomar algum nível de participação no sindicato.
Paralelamente à instalação do sistema de gestão, foi feita a troca do computador que funcionava como o servidor da rede do Sindicato, que era antigo (15 anos) e não conseguia operar com um nível segurança exigido por uma instituição como um sindicato de trabalhadores. Para complementar a modernização dos equipamentos de informática, foi adquirido um no-break que garante o funcionamento das máquinas durante uma hora, mesmo em uma situação de queda de energia.
Por fim, na área administrativa, o sindicato fez a troca do sistema de segurança. Hoje, a área do sindicato é monitorada por quatro câmeras mais uma no sistema de interfone. Com isso, não é mais preciso ir até a varanda para saber quem está chamando. Basta visualizar a câmera e identificar quem está solicitando a entrada. Essa mudança é importante porque no dia-a-dia do sindicato ficam apenas duas pessoas: a funcionária Jocelaine e a presidenta Lina. Preservar a segurança delas foi considerada prioridade.
Conserto da caixa d’água
O imóvel onde funcionam o Sindicato dos Jornalistas e a Casa de Jornalista é dos anos de 1940. Em todo imóvel com essa idade, sempre aparecem problemas inesperados relacionados à sua depreciação natural. Nos últimos anos, um problema recorrente era a caixa d’água, que vasava infiltrando no teto e na parede da casa. O último vazamento ocorreu eu abril deste ano. O problema foi resolvido com a troca da caixa d’água.
E para manter o imóvel em bom estado até que o projeto de reforma seja implementado, foi feita, no final de 2025, a reforma do jardim existente na frente da casa. Com isso, foi possível comemorar, no início de dezembro, os 80 anos do Sindicato e os 60 da Casa.
O projeto de reforma já foi aprovado pelas leis estadual e federal de cultura. No momento, a prioridade é a captação dos recursos necessários à obra, que está orçada em cerca de R$ 7 milhões. São várias as negociações em andamento. Como se trata de um tema delicado que envolve recursos de empresas, e também para não gerar falsas expectativa, que podem não se confirmar, a divulgação dos nomes dos financiadores, será feita à medida que foram formalizados os contratos.
Também está sendo feito pelo escritório de Gustavo Penna uma adequação da área localizada ao fundo, para que seja transformada em um espaço multiuso que irá funcionar como cinema e, ao mesmo tempo, como teatro e espaço para apresentações musicais.
Ponto de Cultura
O projeto de reforma e readequação de uso do imóvel onde funcionam a Casa e o Sindicato está inserido em dois contextos. Um, mais ligado ao do Sindicato, é o da necessidade de ampliação das fontes de receita da instituição, que não pode depender apenas das anuidades para se manter funcionando.

O outro contexto é o da cultura, área na qual atua a Casa de Jornalista, que, em dezembro de 2024, recebeu do Ministério da Cultura o selo de Ponto de Cultura, reconhecimento público da importância daquele espaço para a cultura. A iniciativa de buscar esse reconhecimento oficial foi da Casa de Jornalista.
O projeto de reforma do imóvel irá fortalecer o endereço da avenida Álvares Cabral, 400 como Ponto de Cultura, uma vez que o passará a dispor de novos espaços que poderão ser utilizados com esta finalidade.
Comemorações em alto estilo
O aniversário das duas entidades representativas dos jornalistas – Casa e Sindicato – foi no início de dezembro. A sede das suas entidades ficou lotada. Houve a exibição de um vídeo que relembrou a história do Sindicato, produzido pelo jornalista Marcelo Passos.
Houve também falas da ex-diretora Dinorah do Carmo, representando as mulheres que presidiram a entidade; e Manoel Guimarães; representando os homens. Também para marcar a data, a jornalista Vilma Fazito apresentou um cordel de sua autoria em homenagem ao duplo aniversário, do Sindicato e da Casa. Foi um momento importante que resgatou a presença das duas entidades no cenário sindical, político e cultural de Belo Horizonte e de Minas Gerais também.
Após a solenidade, que aconteceu no salão de entrada da Casa, houve, no espaço da Casa Matriz, um momento de descontração, com show da banda Boca de Sino, que é formada exclusivamente por jornalistas. Foi uma comemoração à altura do Sindicato e da Casa de Jornalista.
À altura da história das duas entidades.


