Diálogo entre jornalistas inspira reflexões sobre comunicação responsável na era digital

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Reflexões sobre o jornalismo no sjpmg
Reflexões sobre o jornalismo no sjpmg

Reflexões sobre os impactos das redes e fake news sobre a saúde mental dos profissionais de comunicação fizeram parte do diálogo promovido pelo movimento Imagens e Vozes de Esperança (IVE) e o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais (SJPMG) no dia 4 de outubro, na Casa do Jornalista, em Belo Horizonte.

Com o tema Comunicação responsável em tempos de hiperconectividade, o encontro foi conduzido pela professora e comunicadora Goreth Dunningham, coordenadora do Centro de Meditação Raja Yoga da Brahma Kumaris em Salvador e pela jornalista e master coach Debora Junqueira, diretora do SJPMG e integrante do IVE.

A presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Lina Rocha, abriu o encontro destacando a importância do tema no momento em que o Sindicato recebe várias queixas dos jornalistas sobre sobrecarga de trabalho e desvio de funções, além da luta por valorização e volta da obrigatoriedade do diploma de jornalismo. “O Sindicato está aberto para acolher todas e todos, encaminhando as demandas da categoria nas redações e assessorias”, disse.

A jornalista Debora Junqueira destacou que o uso demasiado de tecnologias de comunicação e a exigência de interações nas redes sociais, num ambiente de desinformação e desvalorização do trabalho, têm causado problemas de saúde mental. “Impulsividade, estresse, ansiedade e depressão são sintomas dessa era de dependência digital. Especialistas descrevem fenômenos como: Nanofobia (medo de ficar sem o celular) e FOMO (sigla em inglês para “Fear of missing out”, medo de ficar de fora de alguma informação)”, compartilhou.

“Uma comunicação responsável proporciona transformações, mas para isso é preciso que haja ética, veracidade, transparência, respeito aos direitos humanos e diálogo. As mensagens devem levar em consideração o impacto que podem ter nas pessoas e na comunidade. Essa é uma bandeira do IVE, movimento internacional que busca inspirar profissionais de mídia e artistas a se abrirem para uma comunicação construtiva, entendendo o papel transformador da mídia”, explicou a jornalista.

Aprofundar histórias

Reflexões sobre os impactos das redes e fake news sobre a saúde mental dos profissionais de comunicação fizeram parte do diálogo promovido pelo movimento Imagens e Vozes de Esperança (IVE) e o Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais (SJPMG)
Goreth conduziu o diálogo, promovendo interações lúdicas entre os participantes, enfatizando a necessidade do desenvolvimento da autoestima, autoconfiança e autorrespeito para lidarmos com os desafios do trabalho e da vida, no mundo complexo em que vivemos.

Ela também citou o gênero de jornalismo denominado de narrativa restaurativa, que se concentra em histórias de recuperação, restauração e resiliência em tempos difíceis. “Na prática, é aprofundar as histórias além dos fatos, focando em como as pessoas superam seus desafios e inspiram as pessoas que passam por algo semelhante a ter esperança. Só quando há esperança, as pessoas se movem”, disse.

“E como estão as pautas internas?”

“Neste mundo acelerado e conectado em que vivemos, a saída passa por cuidar das nossas pautas internas”, pontuou. A professora de meditação chamou a atenção para o poder de criação da mente. Segundo ela, a percepção do mundo exterior acontece a partir do diálogo interno de cada um. “Vamos trocar a crítica pela autocompaixão e, no modo apreciação, valorizar aquilo que temos de melhor dentro de nós, na construção de uma visão de futuro”, recomendou.

A palestrante convidada, Goreth Dunningham, citou Pierre Lévy, filósofo e estudioso sobre os impactos das novas tecnologias, para lembrar que tudo parece fragmentado, mas está interligado. “Preciso compreender a responsabilidade daquilo que eu faço, posso ser um agente de contaminação com o que divulgo”, afirmou.

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