Brasil de Fato comprova a viabilidade de mídias populares

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Foram mais de 12 milhões de jornais distribuídos durante esses 10 anos - Foto: Nadia Nicolau
Foram mais de 12 milhões de jornais distribuídos durante esses 10 anos - Foto: Nadia Nicolau

Ao comemorar 10 anos em agosto, como uma das mais importantes fontes de informações sobre a realidade dos segmentos populares, o Brasil de Fato Minas, comprova a possibilidade de produção e sobrevivência de um jornalismo comprometido com as reais demandas de informações da população. Projetos de jornalismo independente são capazes de confrontar os modelos da imprensa comercial. São tanto viáveis, quanto essenciais para enfrentar o poder econômico e os avanços da extrema direita na sociedade.

A importância da mídia popular é reforçada por João Pedro Stédile, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST ). Em entrevista promovida pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, ele assinalou que o governo federal precisa investir em mídia popular para enfrentar as mídias hegemônicas. “Se não colocar recursos na mídia popular, irão se arrepender, especialmente quando chegarem as eleições!”, afirmou (leia mais sobre o tema da entrevista),

O Brasil de Fato é o resultado da mesma constatação. De preocupações semelhantes de lideranças e movimentos sociais, registradas no início do primeiro governo Lula. Na época, recorda Larissa Costa, editora geral da edição mineira, a publicação foi criada como projeto de um jornal de abrangência nacional. Movimentos sociais se organizaram durante o Fórum Social Mundial, realizado no Rio Grande do Sul, para viabilizar a iniciativa capaz de se contrapor à mídias corporativas.

Como hoje, havia a concordância sobre a necessidade de criação e fortalecimento de veículos de comunicação que representem os interesses das classes trabalhadoras, dos movimentos populares e das entidades sindicais. O evento chamou atenção e contou com a participação de diversas personalidades participantes do Fórum Social. Circulando inicialmente no padrão “standard”, formato maior dos jornais, nos 20 anos de história o Brasil de Fato conseguiu se consolidar e se adaptar ao cenário de diversificação de mídias.

Expansão

Criado em 2013, o Brasil de Fato MG circula com uma edição impressa gratuita em 46 cidades mineiras, além de ter uma página estadual no portal Brasil de Fato e de transmitir um programa semanal na Rádio Favela Autêntica (106,7 FM). “A gente nunca teve pudor de dizer que temos um lado, que é o lado das classes trabalhadoras”, diz Larissa Costa. Ao contrário do comportamento do jornalismo comercial, assinala, há uma preocupação em produzir informação honesta, o que inclui seguir a regra de ouvir todos os lados envolvidos nos acontecimentos.

Os jornais regionais do BdF surgiram a partir de maio de 2013 para promover uma aproximação com os leitores e leitoras, além de dialogar com as realidades locais. O modelo de sustentação envolveu assinaturas e a venda de assinaturas. O Brasil de Fato Minas foi um ponto de resistência aos governos tucanos, que comandavam os principais jornais do Estado.

Larissa Costa defende a necessidade da mídia popular buscar o diálogo com os segmentos populares, como participação no processo de fortalecimento da organização social, capaz de enfrentar o avanço do conservadorismo e resistir às ações das forças fascistas. A disputa requer a discussão ampliada do jornalismo independente, popular, alternativo, independente dos adjetivos. A pauta sobre a comunicação como direito público precisa ser percebida de forma ampla e transparente.

A visão é de complementariedade. Outros setores sociais, outros movimentos, associações comunitárias e entidade de trabalhadores devem ter seus próprios veículos de comunicação e fortalecer mecanismos de informação e de criação de consciência crítica na sociedade.

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