Aos 95 anos, jornal Estado de Minas renova forma e conteúdo

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reprodução da capa do jornal Estado de Minas, edição de 17 de setembro, anunciando o novo projeto editorial - reprodução da internet
reprodução da capa do jornal Estado de Minas, edição de 17 de setembro, anunciando o novo projeto editorial - reprodução da internet

Edição impressa do “grande jornal dos mineiros” passa por renovação, com objetivo de reconquistar posições perdidas nos últimos anos

À procura de saídas para crises financeira e de perda de influência política, econômica e de leitores, o jornal Estado de Minas, outrora o “grande jornal dos mineiros”, lançou neste domingo, 17 de setembro, novo projeto gráfico e editorial para a sua versão impressa. Além do formato conhecido como berliner, um tabloide mais alongado, semelhante a revistas, a empresa dos Diários Associados aposta em mudanças no conteúdo e em nomes conhecidos do jornalismo mineiro para atrair de volta os seus velhos leitores.

As novidades incluem novos conteúdos e seções, incluindo a estreia no impresso do jornalista político Orion Teixeira, com análises veiculadas toda segunda, e a volta da jornalista Bertha Maakaroun para as páginas da editoria de Política, com uma coluna diária batizada de Em Minas. O jornalista Marcílio de Moraes tem espaço de destaque com a cobertura analítica de economia.

Por que importa

Para o mercado de comunicação, a novidade sinaliza a intenção da atual diretoria dos Diários Associados, comandada pelo jornalista Josemar Gimenez, em recuperar a capacidade de sobrevivência do Estado de Minas. Notícia comemorada, em especial, pelos profissionais da empresa, que convivivam com níveis de incertezas crescentes. Em reuniões com representantes do Sindicato dos Jornalistas e outras entidades de trabalhadores, a diretoria do EM anunciou a disposição em regularizar a situação dos trabalhadores.

Em crise há mais de uma década, o carro-chefe dos Diários Associados, antigo império da imprensa de Assis Chateaubriand, esteve à beira da falência. Salários atrasados, demissões sem pagamento de direitos, acusações de assédio e greves conviveram com denúncias de desvios de recursos pela antiga diretoria. O grupo Associados é alvo de uma investigação da Fazenda Nacional que apura esvaziamento patrimonial, transações fictícias, negócios simulados e fraude contábil.

O que muda

“A renovação da identidade visual do Estado de Minas traz maior dinamismo à leitura e favorece a ampliação da diversidade de conteúdo, com a abertura de um novo horizonte para a edição impressa”, ressaltou Carlos Marcelo, diretor de redação do Estado de Minas, ao descrever as mudanças na edição do domingo. Segundo ele, a renovação impacta na veiculação dos conteúdos, amplia seções e traz mais colunistas, focados em assuntos relacionados a Minas, do país e do mundo.

Além de reforçar a cobertura da política local e da economia mineira, com a estreia de novos colunistas, o projeto amplia o conteúdo do “Bem Viver”, que agora trará diariamente reportagens apoiadas por especialistas sobre saúde e qualidade de vida. O “Divirta-se”, guia de programação sobre cinema, teatro, exposições e demais atrações culturais e de lazer volta às páginas às sextas-feiras, ao lado do “Degusta”. E o “Pensar”, especializado em livros e ideias, será publicado aos sábados.

Aos domingos, o caderno “Feminino” completa o fim de semana trazendo o requinte tradicional, com nova dinâmica para ampliar as passarelas para moda e comportamento. As reportagens de editoria “Gerais”, voltadas à cobertura local, ganham companhia da seção Horizontes, com foco nos monumentos, na memória e em ângulos novos e históricos da capital.

Desafios

O mercado de comunicação tende a manter a dúvida sobre a capacidade de recuperação da marca Estado de Minas com o lançamento da edição impressa em novo formato. Os indicadores são fortes. Por exemplo, a tiragem do jornal despencou nos últimos anos, acompanhando a tendência global de migração de leitores para o ambiente digital. Segundo dados do Instituto Verificador de Comunicação (IVC) a cirulação diária do jornal em papel caiu de 23,3 mil exemplares em 2017 para 11,1 mil em 2022. No ano passado, foi o pior desempenho entre as marcas tradicionais do jornalismo brasileiro.

A distribuição é um problema a mais. Encontrar jornais em bancas é, cada vez mais, um processo que requer gasto de combustível ou sola de sapato. Grande parte dos pontos de vendas não abre mais aos domingos. Durante a semana, a prioridade é para a venda de produtos de baixo valor e doces. Segundo proprietários de bancas, donos de animais geram uma das maiores demandas, ao buscar alternativas para os seus animais depositarem suas necessidades.

As dificuldades também incluem, naturalmente, a contínua ausência de modelos de negócios capazes de sustentar o faturamento das empresas e mudanças de comportamento dos leitores. Uma parte dos empresários ainda imagina tirar uma parte do faturamento das grandes corporações de tecnologia da informação. Mas ainda permanece a certeza no mercado de que é necessário encontrar uma forma sustentável para o jornalismo profissional.

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