O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG) recebeu com espanto a nota assinada pelo procurador-geral do Ministério Público (MPMG), Jarbas Soares, atacando de maneira bairrista a imprensa e pregando seu fim.

Citado por uma reportagem do site UOL como responsável por incluir no acordo de reparação pelos danos da tragédia de Brumadinho (MG) a construção de uma ponte na cidade de sua família, São Francisco (MG), no norte de Minas, localizada a 612 km do local do acidente, o procurador vociferou não apenas contra o jornalista autor da matéria, mas contra a liberdade da imprensa.

O acordo de 37,7 bilhões de reais para reparação pelos danos do crime de Brumadinho (MG), que matou 277 pessoas e trouxe inúmeros prejuízos sociais, ambientais e econômicos, é de notório interesse público, cabendo à imprensa e à sociedade perguntar ou questionar sobre qualquer ponto que levante dúvidas ou que não esteja devidamente explicado.

Essa não é a primeira vez que, confrontado pela imprensa, o procurador ataca os jornalistas. Em novembro, diante de uma reportagem da Folha de S.Paulo que relatava gastos de cerca de meio milhão com um congresso do MP em Araxá, o procurador, em suas redes sociais, chamou o autor da reportagem de sensacionalista e afirmou que a população cada dia mais confia menos na “imprensa marrom”, se referindo aos meios de comunicação de maneira pejorativa.

É direito do procurador, e de qualquer pessoa que se sinta injustiçada, contestar reportagens e buscar reparação, mas nada justifica ameaças e ataques contra o trabalho da imprensa e de jornalistas.

Um procurador de uma instituição pública séria e de tamanha relevância como o MPMG deve receber com serenidade e seriedade o trabalho da imprensa, e, dessa mesma forma, apresentar sua defesa ou desmentir a reportagem.

Ameaçar jornalistas e buscar descredibilizar a imprensa como um todo só alimentam a rede de ódio contra um dos pilares da nossa democracia, além de dar espaço para o submundo das notícias falsas.

O Brasil enfrenta uma escalada de violência contra os jornalistas, caracterizada principalmente, como aponta a última edição do Relatório da Violência Contra os Jornalistas da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), lançado em janeiro deste ano, pela tentativa de desacreditar os meios de comunicação e censurar o trabalho dos repórteres através de processos judiciais.

O SJPMG lamenta a nota e conclama toda a sociedade e também os promotores e procuradores a zelar pela liberdade de expressão e combater de maneira veemente a violência e a censura contra jornalistas. Uma imprensa livre do poder econômico e político fortalece a sociedade e a democracia.

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