SJPMG repudia o descaso do governo federal com a Cinemateca Nacional

O maior acervo de imagens em movimento da América Latina, a Cinemateca Brasileira, com mais de 250 mil rolos de filme – todos de nitrato, material altamente inflamável –, marcha para uma tragédia anunciada. Sob a gestão de Mário Frias, a Secretaria Especial de Cultura do Governo Federal recebeu oficialmente nesta sexta-feira 7/8 as chaves do complexo que fica em São Paulo e há sete meses está sem contrato de gestão.

Não à toa, o Ministério Público Federal de São Paulo entrou, no dia 15 de julho, com ação contra a União por abandono intencional do órgão, que existe desde 1946. Segundo a procuradoria, nenhum aporte financeiro foi realizado desde dezembro, apesar dos R$ 12,2 milhões previstos no orçamento de 2020. Há quatro meses em greve por não receberem salário, cerca de 40 funcionários se revezam voluntariamente para proteger a memória do cinema e da televisão brasileira.

A despedida de Regina Duarte da Secretaria de Cultura, em maio, evidenciou o apreço do Governo Federal pelo audiovisual nacional. Em uma de suas atuações mais marcantes, ao lado do atual presidente da República, a atriz comemorou efusivamente a notícia de que assumiria a direção da Cinemateca, mas as palavras do atual mandatário do Planalto se mostraram erráticas mais uma vez.

É importante ressaltar que há quatro anos um incêndio atingiu um galpão da Cinemateca, em Vila Clementino, na Zona Sul de São Paulo, onde eram armazenadas películas, e mais de 1600 filmes foram queimados. Foi o quarto incêndio da história da instituição, que também ardeu em chamas em 1957,1969 e 1982, com perdas irreparáveis.

Fato é que o fogo é personagem recorrente no apagamento da história brasileira: é difícil não pensar também no dramático incêndio do Museu Nacional em 2018, no incêndio do Museu da Língua Portuguesa em 2015, ou nas chamas que acometeram o Museu de História Natural da Universidade Federal de Minas Gerais, em junho deste ano.

No mês passado, sem receber, a Brigada de Incêndio abandonou os prédios da Cinemateca. A situação é tão precária que houve ameaça de corte de luz e de desligamento do efetivo de segurança. Nos bastidores, fala-se na transferência do acervo para Brasília, o que preocupa funcionários que trabalham na instituição há anos. Segundo eles, a troca de pessoal também poderia comprometer gravemente o acervo, que é muito sensível e necessita de conhecimento técnico para o manuseio.

Diante do exposto e levando-se em conta os mais de 500 projetos de filmes e séries parados na Ancine (Agência Nacional do Cinema), mais de R$ 700 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) parados há mais de um ano, não se pode dizer que o caso é de descuido. Sendo assim, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais repudia o descaso continuado do governo federal com uma instituição fundamental para a história da democracia brasileira como a Cinemateca Nacional e clama por mudanças urgentes no trato com a Cultura e com a memória do país.

“Um povo sem memória é um povo sem história. E um povo sem história está fadado a cometer, no presente e no futuro, os mesmos erros do passado.” (Emília Viotti da Costa) 

 

[10/8/20]

 

Veja também

SJPMG e Fenaj repudiam agressões a repórter da TV Integração em Prata (MG)

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e a Federação Nacional dos Jornalistas vêm ...

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *