Kiko Ferreira lança ‘Manual de Berros’, seu 10º livro de poesia

O jornalista e radialista Kiko Ferreira lança nesta semana o seu décimo livro de poesia, Manual de Berros. Serão dois lançamentos: o primeiro no projeto Sempre um Papo, na terça 3/3, e o segundo na Livraria Quixote (Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi), no sábado 7/3.

O Sempre um Papo será às 19h30, na sala Juvenal Dias, no Palácio das Artes, e terá a participação também dos poetas Thaís Guimarães e Tonico Mercador. A entrada é franca.

Sábado, o lançamento começará com uma performance literária em frente à loja Acústica CD (Rua Fernandes Tourinho, 300), de 12h às 14h. Estão previstas as presenças de João Diniz, Mário Alex Rosa, Francesco Napoli, Matilde Biadi, Daniella Zupo, Fernanda Ribeiro, César Maurício, Ronaldo Gino, Edmundo Novaes, Pedro Olivotto, Brenda Marques, Luisa Roscoe, Patrícia Ahmaral e Sérgio Moreira. Em seguida, na livraria Quixote, haverá uma tarde de autógrafos com o autor.

O livro fecha um ciclo na obra do poeta, que completou 60 anos e se considera “irmão siamês” de Marcelo Dolabela, um dos maiores poetas brasileiros da sua geração, falecido em janeiro deste ano. O título é uma brincadeira com o nome do poeta Manoel de Barros, outra referência de Kiko Ferreira, assim como Adélia Prado e Cora Coralina. “Em momentos de crise, é preciso ter delicadeza”, ensina o autor.

Kiko Ferreira conta que o livro foi criado em noites de insônia, convivência em grupos de whatsapp marcados pela polarização política e a leitura constante, no aplicativo, mensagens acaloradas digitadas em caixa alta. A temática sobre uma humanidade “que mais tecla do que interage” é um ponto alto de seus versos, como em “Milhão de likes”:

alta         ansiedade
baixa      saciedade
média    sociedade (tá cada vez mais high a low society)

Dividido em duas partes, Manual de Berros e Poesia Física, a obra navega pela relação do ser humano com o universo digital e, ao mesmo tempo, busca o resgate do tempo da delicadeza.

“A minha poesia é distinta da poesia do Manoel de Barros, mas o texto dele me traz a necessidade da delicadeza, do ínfimo, do pequeno, do simples, que você torna complexo sem perder a beleza. E atingir a simplicidade é o mais difícil”, comenta Kiko Ferreira.

Ele acrescenta que seus poemas sempre tiveram uma pegada lírica e também bem humorada.

“O poema, para mim, é como uma fotografia. E a minha metáfora é o fotógrafo de esporte. Ele tem que se armar tecnicamente para que, na hora em que a jogada acontecer, fazer o melhor registro. Não tem como combinar a jogada antes com o atacante. Ou como o goleiro vai fazer a defesa. A minha poesia é assim, nasce do momento, instantânea. A gênese do meu poema vem do flash, da sacada”, explica o poeta.

Outra característica da obra é a ironia, que já pode ser notada na sobrecapa, quando o leitor se depara com uma espécie de “manual do consumidor”. “É uma brincadeira, uma crítica a tudo que tem manual e regrinha”, comenta o autor.

[2/3/20]

 

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