‘O dia em que o cara que quis me destruir foi condenado a 41 anos de prisão’

POR LOLA ARONVICH

Marcelo Valle Silveira Mello, 33 anos, foi condenado a 41 anos e seis meses de prisão por vários crimes, entre eles associação criminosa, divulgação de pedofilia, racismo e terrorismo. Todos crimes que ele cometeu na internet.

Ele está na cadeia em Curitiba desde 10 de maio deste ano, quando a Operação Bravata, lançada pela Polícia Federal, o prendeu pela segunda vez. De lá para cá, teve quatro habeas corpus negados.

Marcelo é cria da classe média-alta de Brasília. Filho único de um pai que morreu jovem, sua mãe é funcionária pública aposentada. Marcelo sempre foi tímido, antissocial, sem amigos. Segundo ele, foi vítima de bullying na escola. Também conforme ele próprio, quando criança, odiava perder de mulher em qualquer jogo. Além de detestar meninas, detestava negros, gays e esquerdistas em geral.

Encontrou na internet o espaço ideal para extravasar seu ódio. Foi criador de inúmeras comunidades no Orkut e fez amizades e contatos com homens misóginos de extrema-direita que pensavam como ele. Conseguiu se destacar pelo seu ódio sem fim e sua dedicação em atacar desafetos.

Em 2009, Marcelo foi o primeiro brasileiro a ser condenado por racismo na internet. Ao entrar em discussões contra a política de cotas em páginas da UnB (onde Marcelo cursou Letras com ênfase em Japonês durante um semestre), deixou claro seu ódio a negros. Declarou insanidade para não ter que cumprir a pena. Formou-se em Informática numa faculdade particular. Com esse currículo, tornou-se figura popular nos chans (fóruns anônimos, tão misóginos que mulheres por lá são apelidadas de “depósitos” [de porra]).

“E eu quico?”, como costumava dizer um aluno adolescente quando queria perguntar “E eu com isso?”

Eu, que sou autora de um blog feminista, professora de Literatura em Língua Inglesa na Universidade Federal do Ceará, casada, e quase 20 anos mais velha que Marcelo, nunca havia ouvido falar dele até 2011. Porém, pouco depois de iniciar meu blog, em 2008, conheci indiretamente um nível de misoginia que era inédito pra mim. Ingênua, eu não fazia ideia que existiam homens que se reuniam para xingar uma feminista que teve a coragem de relatar a vez em que foi estuprada e deixada para morrer numa poça do seu próprio sangue. Os comentários no post da blogueira americana lamentavam que ela não havia sido morta, duvidavam da sua história (ela seria feia demais para merecer ser estuprada), prometiam finalizar o serviço.

Ao ler isso, fiquei horrorizada. Não sabia que homens cruéis eram aqueles. Um tempo depois descobri que se autointitulavam MRAs (Men’s Rights Activists), ou defensores pelos direitos dos homens. Descobri com surpresa que há muitos homens que estão convictos que vivemos num matriarcado e que a verdadeira vítima da sociedade é o homem branco e hétero. Não fiquei muito surpresa ao descobrir que esses grupos, que existem nos EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália, não lutam por direito algum – apenas odeiam mulheres e atacam feministas.

Clique AQUI para ler a íntegra no The Intercept Brasil.

 

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[29/8/19]

 

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