Rádio MEC, primeira emissora do Brasil, também está ameaçada. Assine o manifesto em sua defesa

Jornalistas, radialistas, artistas, técnicos e trabalhadores em geral da Rádio MEC AM divulgaram um manifesto em defesa da emissora, a primeira a funcionar no Brasil. O manifesto já recebeu adesão de inúmeros artistas, intelectuais, professores, escritores, pesquisadores e instituições ligadas às artes, à cultura e à comunicação. Você também pode aderir enviando e-mail para a Comissão de Empregados da Rádio MEC AM RJ: comissaodeempregadosrj@gmail.com.

A emissora, que em 2023 completará 100 anos, está sendo extinta pelo governo federal, conforme comunicados feitos aos empregados e notícias publicadas pela imprensa. A Rádio MEC AM faz parte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que está sendo desmontada pelo atual governo. Assim como a Rádio Inconfidência AM para Minas Gerais, a Rádio MEC AM é um patrimônio nacional e tem importância fundamental para a comunicação com parcelas da população e localidades do Brasil.

Leia abaixo a íntegra do manifesto, dirigido ao secretário de Governo da Presidência da República, general Luiz Eduardo Ramos, e ao presidente da Empresa Brasil de Comunicação, Alexandre Graziani.

MEC AM, PRIMEIRA EMISSORA DE RÁDIO DO BRASIL, PRECISA CONTINUAR VIVA!

Aos Senhores
General Luiz Eduardo Ramos, Secretário de Governo da Presidência da República
Alexandre Graziani, presidente da Empresa Brasil de Comunicação

As entidades, movimentos, pesquisadores, comunicadores e trabalhadores abaixo assinados vêm a público repudiar a extinção da Rádio MEC AM e reivindicar do Governo Federal que revogue a decisão de acabar com a emissora, que tem sido comunicada aos empregados da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), à qual a Rádio MEC pertence, bem como vem sendo noticiada pela imprensa desde a primeira semana de julho.
A Rádio MEC AM é a mais antiga emissora em operação contínua, figurando entre as primeiras iniciativas de radiodifusão no país. A Rádio MEC, então Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, foi a primeira emissora a entrar em operação em 1923.
A rádio foi inaugurada por um grupo de intelectuais liderados pelo antropólogo Edgard Roquette-Pinto. Em 1936, Roquette-Pinto doou a emissora ao Ministério da Educação, com a condição de que fosse assegurada sua preservação como rádio educativa e cultural. Com a criação da Empresa Brasil de Comunicação, em 2008, a MEC AM começou então a fazer parte das emissoras públicas reunidas na EBC.
O fim da Rádio MEC AM, portanto, não se justifica do ponto de vista do compromisso que carrega desde a sua gênese de ser um veículo voltado à promoção da cultura e educação.
A extinção também vai na contramão da necessária manutenção de veículos públicos no país, já escassos e que poderiam e deveriam ter seu papel ampliado. De acordo com a nossa Constituição Federal, principal lei do país, deve haver complementariedade entre os sistemas de comunicação público, privado e estatal. O fechamento da MEC é, dessa forma, mais um elemento de desequilíbrio nessa engrenagem.
Por seus estúdios e redações em seus 96 anos, passaram grandes nomes da cultura nacional, como os maestros Villa-Lobos, Isaac Karabtchevsky e Guerra Peixe, os escritores Mário de Andrade, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino e Manuel Bandeira, a atriz Fernanda Montenegro, a cantora Bidú Saião e o jornalista Arthur da Távola.
Em respeito a essa trajetória e vislumbrando o potencial que uma emissora de rádio pública pode assumir em um país continental como o Brasil, com muitas desigualdades a serem enfrentadas inclusive no acesso à informação, solicitamos que a decisão de extinção da Rádio MEC AM seja revista.
É preciso que a emissora tenha assegurada sua produção de programas e de novos conteúdos, assim como sua continuidade na FM, que seja garantida a sua permanência com a melhor qualidade possível no AM enquanto esse espectro continue em vigência no país.

ADESÕES ATÉ AQUI AO MANIFESTO:
Comissão Nacional de Empregados da Brasil de Comunicação (EBC)
Sindicato dos Radialistas do RJ
Sindicato dos Radialistas de SP
Sindicato dos Radialistas do DF
Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro
Sindicato dos Jornalistas de SP
Sindicato dos Jornalistas do DF
Sindicato dos Servidores Federais SINTRASEF-RJ
Federação Nacional dos Jornalistas- Fenaj
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Rádio e TV – FITERT
Conselho Curador cassado em resistência pela EBC
CUT NACIONAL
Associação Brasileira de Imprensa (ABI)
CUT RJ
Sindicato dos Vigilantes de Niterói e região
Confederação Nacional dos Vigilantes – CNTV
Sindipetro-RJ
Reage Artista
Movimento de Artistas de Teatro do RJ – MATER
Teatro Pela Democracia
Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social – ENECOS
Direção e corpo docente da Escola de Comunicação da UFRJ
Frente Ampla pela Liberdade de Expressão e pelo Direito à Comunicação RJ (Fale Rio)
Grupo musical para crianças “Casa de Curió”
Departamento de Educação Musical do Colégio Pedro II
Frente Brasil Popular RJ
Frente Internaciolista dos sem Teto – FIST
Federação das Associações de Moradores de Duque de Caxias (MUB)
Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Central Nacional LGBT
ArtGay
Deputado Federal Chico D’ Ângelo (PDT-RJ), Vice-líder da Oposição e membro da Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados
Reimont Luiz Otoni Santa Barabara
Vereador do Rio pelo PT e Presidente da Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação
Laurindo Lalo Leal Filho (professor da USP e ex-Ouvidor Geral da EBC)
Luiz Mario Nogueira Dias – Diretor de Política e Formação Sindical do SindipetroRJ e diretor de SMS da FNP
Marcelo – presidente da Comissão de Direitos Sociais e Interlocução Sociopopular da OAB RJ
Orlando Guilhon (ex-Diretor das Rádios MEC)
Paulo Betti – Ator
Inez Viana – Atriz e Diretora Teatral
Julio Cesar de Freixo Lobo – Jornalista do Jornal Inverta
Therezinha Mello – Professora, escritora e editora
Leila Salim Leal, jornalista e professa da UFRN
Jorge Melo – Jornalista
Raquel Torres Gurgel – Jornalista
Armando Borges Amazonas – Jornalista
Marroni Alves – Professor, jornalista do Diário do Rio
Cristiane Rocha – Psicóloga

JULHO DE 2019
Aberto a novas adesões. Enviar para o e-mail da Comissão de Empregados RJ: comissaodeempregadosrj@gmail.com

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[16/7/19]

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2 comentários

  1. A radio mec não pode acabar porque é uma emissora que durante a noite tem uma grande cobertura nacional E leva cultura informação para muitos lugares onde as vezes não tem internet Porisso uma emissora muito importante para o Brasil , Fica Rádio MEC

  2. Extinguir a rádio MEC é provocar um incêndio de forma proposital num dos nossos maiores patrimônios culturais. É, simplesmente, uma tremenda e desastrosa ignorância.

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