‘Facejornalismo’ domina a eleição

Por João Paulo Cunha

O que esperar da cobertura de uma campanha eleitoral? Apresentação de ideias, confronto entre propostas e trajetória do candidato, debate público em torno de temas relevantes, informação atualizada e confiável, pluralidade de análises. Em outras palavras, o bom e velho jornalismo.

Sob o signo das mídias sociais — com seu grau de irracionalidade, exibição narcísica, superficialidade, manipulação e divisão como fundamento epistemológico — a imprensa tem se mostrado cada vez menos capaz de cumprir sua função histórica. Se as redes se tornaram um cenário inevitável de campanha, sua linguagem e espírito se transformaram em paradigma para o jornalismo os nossos dias, ou melhor, para o facejornalismo.

Quem tem acompanhado a cobertura eleitoral pela televisão, tanto aberta quanto paga, sabe o que isso significa. A sequência de entrevistas de candidatos é uma triste vitrine da decomposição do jornalismo. O foco não é o cidadão, o objetivo não é esclarecer, a atuação dos profissionais não carrega elementos mínimos de sua profissão – a ética na conduta, a coragem na abordagem e a boa informação como alicerce.

O facejornalismo tem suas regras. Cada emissora que vista a carapuça que melhor lhe convier. Em primeiro lugar, a fuga do pensamento. No tempo das redes não cabe a reflexão, a construção do conceito, a formulação detalhada do argumento. Mesmo os temas mais complexos são tratados a partir de slogans fáceis, que geralmente atacam as tentativas mais consequentes de aprofundamento da discussão.

Clique aqui para ler a íntegra do artigo no Brasil de Fato).

 

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[6/9/18]

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