A maldade dos Associados não tem limite

Aflita com a possibilidade de uma derrota judicial, após reduzir o salário dos trabalhadores ilegalmente há um ano, a direção dos Diários Associados agora quer negociar novos termos. Porém, quando a proposta da empresa foi destrinchada, descobrimos que o acordo tem apenas um objetivo: prejudicar ainda mais os trabalhadores dos jornais Estados de Minas e Aqui, da TV Alterosa e dos portais Uai e em.com.br.

Um estudo realizado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos), a pedido do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG), revela que os novos cortes propostos pelo grupo Associados, em alguns casos, são maiores do que os já praticados.

De acordo com o estudo, a nova proposta, apresentada semana passada pelo grupo empresarial no Ministério Público do Trabalho (MPT), reduz o corte de quem ganha até R$ 5 mil no Estado de Minas e R$ 3.500 na TV Alterosa e eleva para quem recebe acima desse valor. Os novos percentuais de corte variam de -28,6% a -33,1% (confira tabela abaixo).

Nessa reunião, estranhamente, o grupo propôs novos cortes, mas não revelou o percentual que eles representavam nos salários.  Apresentou apenas uma nova escala com a elevação da jornada de trabalho, sem especificar o que isso representava no salário dos jornalistas do grupo.

O Sindicato cobrou de Luiz Eduardo Leão – diretor da TV Alterosa que conduz para a direção da empresa o processo de redução salarial ilegal – os índices de cortes, informação que mais interessa ao trabalhador, mas não obteve sucesso. Ele se comprometeu a enviar em seguida, o que não ocorreu.

Além dos cortes superiores aos já praticados, a empresa propõe uma indenização – cujo cálculo já foi entregue para os trabalhadores – parcelada em até 42 vezes e estabilidade de 4 meses.

Em assembleia realizada em novembro do ano passado a categoria rejeitou a proposta de acordo feita pelo grupo que estipulava cortes entre 28% e 30% e aprovou que eles não poderiam ultrapassar 15% dos vencimentos e seriam praticados por tempo determinado (seis meses prorrogáveis por igual período). Durante a vigência dessa redução, os trabalhadores teriam estabilidade.

Já tramita na Justiça do Trabalho uma ação movida pelo Sindicato contra os cortes implantados desde abril passado. A sentença deve sair em julho. O Dieese segue estudando todas as planilhas e dados sobre a folha de pagamento entregues pelo grupo ao MPT e repassadas ao Sindicato. Na última reunião do MPT ficou estipulado o prazo de 45 dias para a conclusão dos estudos.

O Dieese também está concluindo um estudo feito a partir da análise dos contracheques do ano de 2016 cedidos por alguns trabalhadores para o Sindicato.

Clique na imagem para ampliar.

[26/4/17]

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