Professores e estudantes foram presença marcante no protesto contra reforma da previdência em BH

O dia nacional de luta contra a reforma da previdência, que paralisou metrô, bancos, escolas, centros de saúde e limpeza urbana, entre outros serviços, e levou 150 mil pessoas às ruas de Belo Horizonte nesta quarta-feira 15/3, teve surpreendente adesão dos professores e estudantes de escolas particulares – além das escolas e universidades públicas. Aderiram ao protesto inúmeras instituições católicas e laicas. Um texto escrito por um aluno de um colégio particular viralizou nas redes sociais. No texto – que reproduzimos abaixo – o estudante agradece seus professores por lhe darem uma “lição de cidadania” e rebate críticas daqueles que estavam preocupados com provas e transtornos no trânsito.

Segundo relatos em redes sociais, pararam os seguintes colégios particulares: Alumnus, Balão Vermelho, Bernoulli, Casa Viva, Claretiano, Colégio Batista, Colégio Mangabeiras, Colégio São Paulo, Colibri, Escola da Serra, Instituto Ouro Verde, Izabella Hendrix, Loyola, Magnum, Maria Montessori (Contagem), Marista Dom Silvério, Miguel Arcanjo, Nossa Senhora das Dores, Padre Eustáquio, Padre Machado, Pio XII, Pitágoras, Sagrado Coração de Jesus, Sagrado Coração de Maria, Salesiano, Santa Doroteia, Santa Maria, Santo Agostinho, Santo Antônio e São Miguel Arcanjo. Aderiram ao protesto as faculdades privadas PUC Minas, Estácio de Sá, Fead, Izabella Hendrix, Pitágoras e UNA.

Entre as instituições de ensino federais que pararam estão: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Instituto Federal de Minas Gerais (IFMG), Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG) e Colégio Técnico da UFMG (Coltec). Também pararam escolas das redes públicas municipal e estadual.

Cerca de 15 agências bancárias no hipercentro fecharam. A limpeza urbana também foi paralisada, com exceção de empresas terceirizadas de coleta de lixo.

A passeata começou na Praça da Estação e terminou na Assembleia Legislativa. Houve também manifestações em diversas cidades do interior, em todas as regiões do estado, entre elas: São João del-Rei, Governador Valadares, Viçosa, Montes Claros, Manhuaçu, Mariana, Passos e Uberlândia.

A seguir o texto escrito por um aluno de uma escola particular que viralizou nas redes sociais.

“Diferente do que alguns falam, a paralisação quarta-feira não é uma escolha individual, mas uma greve nacional convocada pela Confederação Nacional de Trabalhadores da Educação,
greve esta garantida pela Constituição, prescrito na Lei 7.783/89, como um direito de todo o trabalhador.

Não existe dia para manifestar, não existe hora para manifestar e muito menos existe manifestação que não incomode. Se passarmos a protestar apenas nos finais de semana, em locais que não atrapalhem o trânsito e que se limitem a quaisquer outras reclamações, não manifestaremos, mas faremos uma reunião formal, quiçá com credencial para participar.

Se o governo pressiona de um lado e recusa a nos escutar, precisamos pressionar do outro, nos erguer e mostrar nossa voz. Se uma pessoa não consegue perceber que esse protesto a ajuda e beneficia seus descendentes, ela está falhando como cidadã consciente. Embora seja um incômodo ter um dia de aula a menos e um trânsito ruim, preferirei sempre ter um dia atípico e “ruim”, para ter um futuro seguro e que não me trate como um máquina até o dia que eu morrer.

Os alunos podem ficar um dia sem aula de português, matemática, história etc., mas eles aprendem outra aula, a de cidadania. E essa sim está em falta. O descaso do governo e a absurda PEC que eles propõem afetam a todos, não na quarta-feira, mas hoje, amanhã, daqui 10 anos, 20 anos, 30 anos, 70 anos.

Então obrigado, professores, por mais uma vez me ensinarem e transformarem meu mundo e meu futuro em um lugar melhor. Vocês deveriam ser reverenciados e aplaudidos todos os dias, porque essas buzinas e gritos que os repreendem só possuem a vida que possuem, pois tiveram o privilégio de poderem aprender com vocês. É uma pena que tenham se esquecido disso.”

(Foto reproduzida da Rede Brasil Atual.)

 

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