Promotor pede arquivamento de processo contra jornalista da Rádio Inconfidência detida pela PM

O Ministério Público pediu o arquivamento do processo movido contra a jornalista Verônica Pimenta, repórter da Rádio Inconfidência e diretora do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, presa ilegalmente enquanto cobria uma desocupação feita pela Polícia Militar, em Belo Horizonte, no dia 20 de junho. Para o promotor Jeff Bedram não há nenhum motivo que justifique a abertura de uma ação penal, pois a repórter nada mais fazia do que exercer sua função.

Verônica foi acusada por um policial militar de “desobediência” e levada presa em um carro da PM para a delegacia, onde prestou depoimento, antes de ser liberada. A prisão da repórter no exercício da profissão, considerada pelo Sindicato arbitrária e uma censura ao trabalho do jornalista, teve repercussão nacional.

O caso foi acompanhado pelo advogado Daniel Deslandes, membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), pelo advogado do Sindicato dos Jornalistas, Luciano Marcos, pelo jornalista, ex-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e também advogado Luiz Carlos Bernardes, o Peninha, e pela advogada da Rádio Inconfidência Luciana Trindade Reis Botrel.

Sem controle

“O arquivamento do processo fez justiça em relação a mais uma arbitrariedade da Polícia Militar de Minas Gerais, que nestes últimos anos mostrou através de várias ações que é contra a liberdade de expressão e o trabalho livre do jornalismo. Verônica foi mais uma vítima de uma polícia sem controle, que age à margem da lei”, afirmou Kerison Lopes, presidente do Sindicato.

Para o advogado Daniel Deslandes, que acompanhou o processo, “a ordem proferida pelo policial militar padeceu de desvio de finalidade, uma vez que foi praticada visando a fim diverso daquele previsto, ou seja, a censura ocorreu sob o pretexto de proteção da repórter que cobria a desocupação”.

O jornalista Luiz Carlos Bernardes, que também deu assistência ao caso, disse que a decisão do promotor de pedir o arquivamento “restabelece a liberdade de imprensa em Minas ameaçada nas gestões Aécio e Anastasia”.

 

Na foto, Peninha, Luciano, Kerison, Daniel, Verônica, Luciana e Alessandra, após a audiência de conciliação, nesta segunda-feira 1/8.

1/8/16

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