José Maria Rabêlo: ‘tentativa de golpe tem fisionomia própria’

O golpe de estado em curso no país tem várias semelhanças com os golpes ocorridos em 1964, no Brasil, e em 1973, no Chile, mas tem também diferenças importantes, segundo o jornalista José Maria Rabêlo. “Essa tentativa de golpe tem fisionomia própria, a grande força conspirativa da mídia”, observou Rabêlo, que “viveu por dentro, do início aos desfechos”, os golpes de 64 e 73. “Em nenhum lugar do mundo existe um oligopólio da mídia tão grande como existe no Brasil”, acrescentou.

Rabêlo, que atualmente é vice-presidente da Casa do Jornalista, criticou duramente a atuação dos grandes veículos de comunicação. “O que a Globonews, por exemplo, está fazendo não é a cobertura dos acontecimentos, é um comício 24 horas por dia contra o governo”, disse. “O que nós temos de fazer é responder, para impedir o golpe”, conclamando os jornalistas mineiros a participarem da manifestação em defesa da democracia marcada para esta sexta-feira 18/3.

Outra diferença em relação ao golpe de 64, segundo José Maria Rabêlo, é a participação dos militares. Segundo o jornalista, um dos fundadores do jornal Binômio, em Belo Horizonte, fechado pela ditadura, em 1964, os militares parecem ter aprendido e não querem mais saber de golpe. “Não é só aqui, não, é em toda a América Latina”, ressalta. Ele assinalou ainda, que, apesar de contar com o patrocínio da Fiesp, o envolvimento empresarial no golpe não é amplo.

Segundo José Maria Rabêlo, manifestações como a domingo passado, 15/3, acontecem porque a ascensão social das classes populares nos últimos anos desagrada os “donatários”, nome que ele dá aos ricos brasileiros. “Eles acham que ainda têm capitanias hereditárias e odeiam os pobres”, analisou.

Apesar dos acontecimentos dos últimos dias, Rabêlo é otimista; ele acredita que o governo Dilma está se fortalecendo e que a oposição está desmoralizada. “Esse juiz de Curitiba não podia autorizar uma escuta da presidenta da República e Aécio não pode mais falar em corrupção”, disse. “Lula traz uma força muito grand para o governo”, acrescentou.

 

(Na foto, José Maria Rabêlo, entre Ricardo Kotscho e Audálio Dantas. Crédito da foto: Mariela Guimarães.)

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Um comentário

  1. VANJA MARIA DUARTE BARBOSA

    Meu querido pai, falava muito de um jornalista, José Maria Rabelo na luta contra a ditadura de 64! Só pode ser ele! Tivemos que ir embora, para sua terra natal, porque tinha muitos filhos, todos pequenos! Meu pai se chamava Moacir Dias Duarte; e hoje eu e meus 7 irmãos continuamos na luta!

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