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“Não vai ter golpe!”, gritam milhares de manifestantes em Belo Horizonte

Belo Horizonte foi palco nesta quinta-feira 20/8 de uma das maiores manifestações populares dos últimos anos. “Não vai ter golpe!” foi a palavra de ordem entoada por milhares de pessoas que ocuparam avenidas e praças da região central da cidade em defesa do governo da presidenta Dilma e do estado de direito democrático, num ato vigoroso, pacífico e sem violência. “Dilma fica!” diziam inúmeros cartazes.

À frente da manifestação estavam diversas entidades de representação dos trabalhadores e dos estudantes, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), a União Nacional dos Estudantes (UNE), a União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES), sindicatos de professores, de petroleiros, associações e movimentos sociais, como os dos sem-terra, de ocupações e moradores de vilas e favelas. Bandeiras e adesivos da campanha presidencial de 2014 com a imagem da presidenta Dilma voltaram a ser usados.

O perfil popular da manifestação ficou evidente desde o começo, quando a massa humana começou a se concentrar na Praça Afonso Arinos, por volta da 16h, ao redor dos trios elétricos, nos quais discursavam lideranças sindicais e populares. Uma mulher representante da “Marcha das Margaridas”, que no dia 12/8 ocupou Brasília com dezenas de milhares de trabalhadoras do campo, discursou.

Além das grandes faixas havia muitos cartazes pequenos escritos à mão. Uma mulher de pele clara e cabelos louros carregava um cartaz que dizia: “Quanto mais a elite bate panela, mais eu voto no PT”. Um jovem carregava, em silêncio, um cartaz que resumia o sentimento de boa parte dos manifestantes: “- ódio + respeito”.

A presença de jovens era expressiva, alguns até de terno e gravata. Apesar do grande número de pessoas, a manifestação foi pacífica e não registrou incidentes, a não ser por uma jovem que se sentiu mal e teve de ser carregada. Também não ocorreram provocações nem agressões aos manifestantes de esquerda, como aconteceu em manifestações convocadas por movimentos de direita. A Polícia Militar, ao contrário do que aconteceu na quarta-feira 12/8, agiu como convém numa democracia: garantiu o direito de livre manifestação e orientou o trânsito. Não havia tropa de choque.

“Mais direitos! Mais democracia!”

A passeata desceu em direção à Praça Sete e logo a Avenida Afonso Pena foi tomada, desde a Avenida Álvares Cabral até a Rua da Bahia. “Mais direitos, mais democracia. #nãovaitergolpe” dizia a enorme faixa à frente da manifestação. Em seguida, manifestantes carregavam a bandeira do Brasil. Jovens tocavam instrumentos de percussão e cantavam uma música cujo refrão era “É pra mudar!”. Assinada pela UNE e pela UBES, uma grande faixa amarela expressava um dos eixos da manifestação, a defesa da Petrobras. “O pré-sal é da educação”, dizia a faixa. “Petrobras forte, Brasil soberano”, dizia um cartaz empulhado por uma mulher.

Outra diferença em relação à manifestação do domingo 16 é que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, não foi preservado. A palavra de ordem “Fora Cunha!” esteve presente em cartazes e gritos. Diante do prédio do Ministério da Fazenda (que cerrou suas portas), a multidão parou para protestar contra o ajuste fiscal e o ministro Joaquim Levy. “O ajuste fiscal não pode ser feito em cima dos trabalhadores”, disseram oradores. Quando os manifestantes ocuparam a Avenida Afonso Pena, os gritos em defesa da presidenta Dilma e da democracia ficaram mais altos. “Direita, recua! O povo tá na rua” foi a palavra de ordem entoada.

Por volta das 18h a Praça Sete estava ocupada com as cores vermelha, verde e amarela. No alto do trio elétrico, uma mulher cantou uma canção cujo refrão dizia: “ Este é o nosso país / Esta é a nossa bandeira / É por amor ao Brasil / Que a gente segue em fileira”. Embaixo, a multidão entoou mais uma vez: “O povo tá na rua! A Dilma continua!”. Pouco depois das 18h, a passeata desceu a Avenida Amazonas, em direção à Praça da Estação.

 

(Crédito da foto: Rogério Hilário.)

 

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Um comentário

  1. Que texto mais parcial. Vergonha para o jornalismo.

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