Violência bolsonarista atinge nove jornalistas em 24 horas

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Em menos de 24 horas, nove jornalistas foram agredidos pela extrema direita bolsonarista em frente ao quartel do Exército, na avenida Raja Gabaglia, em Belo onde estavam acampados desde o fim do segundo turno das eleições. Anteontem, depois de um repórter fotográfico do jornal “Hoje em Dia’ ter sido agredido com socos, chutes e pauladas pelos bolsonaristas, o prefeito de Belo Horizonte, Fuad Nomam, desencadeou uma operação, usando como argumento o desrespeito ao Código de Posturas, para desarmar o acampamento. Durante o desmonte da mega infraestrutura montada em frente ao quartel, um grupo de bolsonaristas agrediu novamente os jornalistas que faziam a cobertura da desocupação. Assim como ontem, ninguém foi preso em flagrante.

O repórter do “Hoje em Dia” passou a noite em observação no hospital devido às pancadas na cabeça e teve de levar pontos na nuca. Ele também teve seu equipamento fotográfico roubado durante o espancamento.

Ontem, as lamentáveis cenas de violência se repetiram. Jornalistas foram cercados, hostilizados, tiveram seus equipamentos danificados, mas novamente ninguém foi preso ou detido. Um dos jornalistas teve também o telefone roubado durante as agressões.  Segundo relato dos repórteres, a Polícia Militar acompanhou as agressões de longe, sem intervir.

O prefeito de Belo Horizonte conversou pessoalmente e por telefone com a presidenta do SJPMG, Alessandra Mello, e manifestou sua solidariedade aos jornalistas agredidos e classificou como intoleráveis e um atentado ao estado democrático de direito as agressões. No encontro, a presidenta agradeceu ao prefeito, em nome dos jornalistas e dos moradores da capital, pela desocupação que tem intimidado motoristas e transeuntes, atrapalhado o trânsito e o acesso hospital localizado na região, e promovidos atos de selvageria contra a imprensa.

Os jornalistas foram orientados a fazer boletim de ocorrência e exame de corpo delito em caso de lesão. Uma representação será feita pelo SJPMG junto à Procuradoria Geral do Ministério Público, Promotoria de Defesa dos Direitos Humanos, Polícia Civil, Conselho Estadual de Direitos Humanos, Ordem dos Advogados do Brasil e Ministério da Justiça.

O documento também será encaminhado à deputada estadual Bia Cerqueira (PT), que já se colocou à disposição do SJPMG para auxiliar na apuração dos fatos, e também para o Instituto dos Advogados do Brasil, por meio do seu presidente, Felipe Cruz, que também manifestou solidariedade

O advogado Gregório Andrade, que sempre auxilia o SJPMG nas questões criminais, vai acompanhar o caso. Ele já solicitou à Guarda Municipal o relatório do ocorrido ontem e vai acompanhar toda a tramitação da apuração dos atos de terrorismo. Ontem, a Polícia Civil informou que já investiga os atos de violência.

O SJPMG exige apuração rigorosa e punição de todos os envolvidos. A impunidade alimenta a escalada da violência contra jornalistas em todo o Brasil. É preciso que todos os envolvidos sejam investigados e punidos dentro do rigor da lei.

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