Projeto de reforma da Casa de Jornalista avança com transparência e apoio unânime

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O último dia 25 de maio foi uma data muito importante na história das duas principais entidades representativas dos jornalistas mineiros – o Sindicato dos Jornalistas e a Casa de Jornalista. Nesta data, em assembleia-geral, a categoria aprovou uma indicação para que a diretoria das duas instituições avancem nos entendimentos para que a Fundação Educacional Lucas Machado (Feluma), mantenedora da Faculdade de Ciências Médicas, assuma a reforma do imóvel, localizado na avenida Álvares Cabral, 400.

O que foi aprovado na assembleia-geral foi apenas um indicativo no sentido de que os entendimentos sejam aprofundados para que, como passo seguinte, possa ser formulada a minuta de contrato, que também será submetida à aprovação da categoria, tão logo se tenha um texto que seja consenso entre a Feluma, de um lado; e a Casa e o Sindicato de outro.

O projeto de reforma da Casa de Jornalista começou no início da gestão anterior da instituição (2023-2026), quando se vislumbrou a possibilidade de uso das leis de incentivo para este fim. O primeiro passo foi a elaboração do projeto arquitetônico, pelo escritório do arquiteto Gustavo Penna.

Um espaço multiuso

O projeto original por ele elaborado prevê a construção dos seguintes espaços: um auditório para 160 pessoas em um segundo andar que irá ocupar a parte central do imóvel; um estúdio para gravação de podcasts e videocasts; um espaço para coworking; uma cafeteria, uma livraria e uma área para o futuro Memorial do Jornalismo Mineiro, cujas gravações de entrevistas já encontram-se em andamento. O projeto prevê também acessibilidade total tanto no primeiro quanto no segundo andar, de acordo com o que prevê a Lei Brasileira de Inclusão (Lei  13.146/2015).

Durante a apresentação do projeto arquitetônico, em dezembro de 2023, alguns jornalistas colocaram objeções quanto à transformação de parte do hall de entrada na área de coworking. A solicitação foi aprovada e  encaminhada a escritório de Gustavo Penna, que fez a reformulação do projeto original mantendo o hall com a mesma área que tem hoje, apenas dotando-o de janela para a lateral da casa, para facilitar a ventilação daquele espaço.

Aprovado o projeto arquitetônico, a Casa de Jornalista deu início à elaboração dos projetos para a captação dos recursos necessários pela Lei Rouanet e pela Lei Estadual de Cultura. Os projetos foram aprovados em 2024, por ambas as leis.  Pela Lei Rouanet, a Casa estava autorizada a captar R$ 2,5 milhões. Pela Lei Estadual, R$ 1,8 milhão. Com isso, deu-se início à fase de captação de recursos pelas leis de incentivo. Ao longo de 2025, várias empresas receberam a solicitação de patrocínio. Porém, nenhuma delas sinalizou positivamente à transferência de recursos para o projeto.

Tudo indicava que a captação via Lei de Incentivo não seria uma tarefa tão simples como se imaginava. Havia a expectativa de que sendo o imóvel pertencente a instituições representativas de jornalistas, a visibilidade que o patrocínio poderia gerar na mídia compensaria o investimento por parte das empresas. Mas não foi isto o que ocorreu. Ao mesmo tempo, a Casa de Jornalista e o Sindicato decidiram apostar em outra alternativa para a captação dos recursos: as emendas parlamentares.  Alguns contatos foram feitos no final de 2025, mas acabaram não se efetivando  de tal foram que os recursos estivessem disponíveis no orçamento da União de 2026.

2026 – o ano da retomada

O projeto foi retomado em abril deste ano, quando a presidente do Sindicato dos Jornalistas, Lina Rocha, foi contatada pelo jornalista Eduardo Costa, que se colocou à disposição para ajudar no trabalho de captação dos recursos. Ele informou que já tinha uma possibilidade, que era a Feluma. A primeira reunião com a diretoria da instituição, incluindo o presidente, Wagner Eduardo Ferreira, se deu no dia 27 de abril, da qual participaram, representando o Sindicato e a Casa, os jornalistas Marcelo Freitas, da diretoria da Casa de Jornalista,  Zinho Siqueira e Eduardo Costa, que intermediou o contato.

Na ocasião, o projeto arquitetônico foi apresentado à instituição, que demonstrou interesse em apoiar a reforma, tendo em vista que a Feluma é uma instituição que também tem a cultura entre seus pilares, além da educação na área médica. Os recursos necessários a execução da obra viriam da própria Feluma e de emendas parlamentares, que seriam apresentadas ao orçamento de 2027 pelo presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Tadeu Martins Leite; e pelo deputado estadual, João Vitor Xavier.

Na ocasião, não se chegou a avançar na discussão de quais seriam as possíveis contrapartidas ao financiamento da obra por parte de Feluma. De concreto, o que ficou definido é que seria realizada uma visita ao imóvel por parte de um represente da diretoria da Feluma e de engenheiros da empresa que presta serviços de engenhara à instituição.

A visita aconteceu no dia 4 de maio.  Nessa visita, aventou-se a possibilidade de transformação da área existente ao fundo da Casa, que era alugada à Casa Matriz e que hoje está fechada, em um cine-teatro, onde seriam exibidos filmes e realizados espetáculos musicais e de teatro. Na sequência, uma segunda reunião foi realizada, também na sede da Feluma, desta vez com a presença, além de Marcelo e Zinho, da presidente do Sindicato, Lina Rocha.

Em relação à reunião anterior, o que se aventou foi a possibilidade de que o espaço do cine-teatro recebesse o naming rights da Feluma por um tempo que seria previamente definido em contrato. Porém, não se se definiu qual seria este prazo. Se a contrapartida seria mesmo o naming rights bem como o seu prazo de vigência são definições ficariam para uma etapa posterior dos entendimentos.

O Sindicato solicitou que a Feluma formalizasse em documento sua intenção de patrocinar a reforma do imóvel, o que foi feito em ata do Conselho Diretor da Instituição. De posse desse documento, o Sindicato dos Jornalistas convocou reunião das diretorias das duas casas para apresentar um relato das negociações em curso com a Feluma e deliberar se estas negociações poderiam avançar.

A reunião foi realizada no dia 11 de junho. Os diretores presentes referendaram a proposta de se dar continuidade aos entendimentos. Foi aprovada também a convocação de uma assembleia-geral para decidir se o Sindicato e a Casa teriam o aval da categoria para avançar nos entendimentos com a Feluma.

A assembleia-geral foi realizada no dia 25 de junho. Na ocasião, foi apresentado um relato do que havia sido conversado até então. Não foi colocada em votação nenhuma minuta de contrato porque essa minuta ainda não existe. O que há são entendimentos preliminares. Na ocasião, Lina Rocha defendeu a parceria com a Feluma por se tratar a reforma do imóvel de uma ação estratégica para manter a sustentabilidade financeira da Casa e do Sindicato que, como ressalta Lina, não consegue se manter apenas graças ao pagamento da anuidade de seus associados.

Na ocasião, foram feitos questionamentos sobre como seria feita a gestão dos recursos e sobre eventuais problemas decorrentes do uso de recursos de emendas parlamentares na obra, que está orçada em cerca de R$ 7 milhões. Houve questionamento também sobre como a categoria poderia acompanhar cada etapa do processo. Lina Rocha explicou que não há uma definição sobre a gestão dos recursos porque o contrato ainda não foi assinado. Mas afirmou que isso, certamente irá constar do contrato.

Ela explicou também que para cada etapa desse processo serão realizadas consultas à categoria, sempre que esta se mostrar necessária à transparência da obra. Quanto às emendas parlamentares, o advogado do sindicato, Luciano Marcos, explicou que se a prestação de contas do uso dos recursos das emendas for feita de forma correta, não há como tais recursos geraram desgaste para o Sindicato e a Casa.

Transparência e acompanhamento

O acompanhamento do projeto será feito pela presidência do Sindicato dos Jornalistas e da Casa e por uma comissão de representantes da duas casas, além do jornalista Zinho Siqueira e dos advogados do Sindicato e da Feluma.

Para o recebimento dos recursos de emendas parlamentares, será necessária um alteração no estatuto da Casa de Jornalista, para que conste, de forma expressa, que a instituição não tem fins lucrativos nem remunera os membros de sua diretoria. A alteração do estatuto com este fim será objeto de outra assembleia-geral, a ser convocada posteriormente.

Ao final dos trabalhos, por unanimidade, os jornalistas presentes aprovaram o indicativo para que as diretorias do Sindicato e da Casa prossigam com os entendimentos com a Feluma. A próxima reunião acontecerá no dia 29 de julho, já com a presença dos responsáveis pela área jurídica das duas instituições.

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