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11/1/2010|Tecnologias
 
  Grandes jornais buscam alternativas tecnológicas
 

Espécie de computador pessoal no formato de uma prancheta com tela sensível ao toque dos dedos ou de uma caneta especial e específico para a leitura de publicações como jornais ou revistas, os tablets entraram na lista de alternativas para tirar os jornais impressos da zona cinzenta do futuro. Para o New York Times, o tablet pode ser uma grande oportunidade de reavivar o romance entre o leitor e a mídia impressa, graças à maneira intuitiva de leitura que o aparelho oferece.

No Brasil, o jornal O Globo saiu na frente com a versão para o e-book Kindle, a versão para os leitores de livros. A edição do jornal no Kindle contém artigos da edição impressa, mas não inclui todas as imagens e tabelas. A comercialização da inserção do conteúdo do jornal no leitor é feita por assinaturas ou pela venda avulsa das edições. O site da Amazon.com, fabricante do leitor, informa que, para a comodidade dos leitores, as edições de O Globo na versão eletrônica serão entregues automaticamente a partir das 5h da manhã, horário local do Rio de Janeiro, pelo sistema wireless.

Os tablets, assim como os e-books – da categoria dos e-reader, as pranchetas eletrônicas de leitura – transitam por páginas com diagramação eletrônica, mas não navegam pela internet. Nos Estados Unidos, as indústrias se apressam em mostrar as suas inovações. Além da Apple, dona da tradição de surpreender o mercado com produtos que se tornam sonhos de consumo, há a expectativa de que Microsoft e HP unidas lancem aparelhos para marcar presença no segmento.

Mais que leitores de e-book, os tablets criam também a expectativa de que sirvam como painel multimídia conectado, para os mais diversos usos. Existem controvérsias, já que alguns especialistas imaginam o equipamento como recurso especializado, apenas para leitura de jornais ou para livros. Para o diretor do Laboratório de Jornalismo da Fundação Nieman, na Universidade Harvard, Joshua Benton, a previsão de que os leitores não irão usar apenas um equipamento para ler livros ou jornais mostra que o Kindle, e-reader da Amazon, assim como outros aparelhos similares, inviabiliza os sonhos dos jornais, afogados em dificuldades financeiras.

O especialista defende que os e-readers sejam multifuncionais, e que deem acesso fácil à web. O raciocínio chega ter uma certa obviedade. Sem o acesso geral à internet, o leitor do jornal não teria como conferir algum link de um site referenciado em uma matéria. Porém, um aparelho que navega na internet sem restrições é, na realidade, mais um computador móvel.

As expectativas em torno do tablet se inserem nos debates gerais sobre o futuro dos jornais. Em 2010, as empresas proprietárias de veículos impressos tendem a intensificar as iniciativas para viabilizar preservação de suas atividades, seja com mudanças editoriais ou com novos investimentos em projetos de transferência de suas marcas para a internet.

Experiências de fechamento de conteúdos serão mantidas, obrigando o leitor a ter uma assinatura ou a comprar notícias específicas. Alguns tentarão adotar micropagamentos – a possibilidade de um leitor comprar determinada notícia. Em outros fronts, nacionais e internacionais, as pressões sobre a Google, maior sistema de busca do planeta, continuarão com o objetivo de obrigar a empresa a desenvolver filtros para as notícias publicadas pelos jornais.

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