Você está aqui
Início › Um noite com Dídimo e a categoria no Palácio das ArtesUm noite com Dídimo e a categoria no Palácio das Artes
Uma categoria se faz com a história do coletivo e com histórias individuais.
No dia 13 de outubro de 2011, quinta-feira, no foyer do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, o lançamento da biografia do jornalista Dídimo de Paiva retratou com nitidez a força do uno e do coletivo, quando um reconhece o outro. Ou seja, o indivíduo escreve a história do coletivo e o coletivo escreve a história do indivíduo.
Dídimo – o homem, o sindicalista, o jornalista, o pai, o amigo – voltou-se sempre para as causas coletivas, muitas vezes em detrimento de sua paz, de seu sossego, de uma carreira vantajosa, do sacrifício dos familiares. Nunca estabeleceu com o mundo ligações individualistas, ou mesmo de grupelhos. Seu lema era o todo – mas o todo enquanto o povo em movimento. O movimento do todo, em função das causas sociais. Sem disfarces, sem “papas na língua”, construiu uma história fundada na sua própria verdade, e na veracidade dos fatos que marcavam uma época política conturbada, onde as botas dos militares pisoteavam os sonhos de jovens que queriam mudar o mundo para melhor.
Quando cheguei ao Palácio das Artes e fui, aos poucos, adentrando o salão, percebi a energia do coletivo - em cada abraço, em cada palavra, em cada aperto de mão. Os jornalistas se reconhecendo – o sujeito se vendo no todo, o todo formando o sujeito. Ali, os pares se regozijavam no encontro casual e leve, como numa brincadeira. Ali, no lançamento de uma biografia, era o todo que se biografava. A categoria – dos mais jovens aos mais velhos, dos menos freqüentes aos que batem ponto nos eventos, gente de fora, “sumidos” e “aparecidos”- estava feliz. Não porque tudo sejam flores, pois sabemos das nossas dificuldades - os baixos salários, as demissões sumárias, o desrespeito das empresas ao que se constrói durante anos e que, com uma ordem, se desfaz de um dia para o outro, a falta de oportunidades num mercado voraz e cego aos talentos que injustamente vão para a lista de desempregados - mas porque temos a capacidade de compartilhar com o coletivo o lado bom de ser jornalista (o desejo de mudar, a inquietude, a criatividade, a busca constante, a capacidade de se indignar e, principalmente, a brincadeira, a fala solta, a alegria...). Todos nós, ali, naquela noite, tínhamos um pouco do Dídimo. E o Dídimo, ali, tinha um pouco de cada um de nós.
Foi tudo muito significativo, como uma chuva de fogos brilhantes!
Parecíamos um bando de andorinhas que, sozinhas, jamais fazem verão.
Virgínia Castro é jornalista










