Adeus ao jornalista Edson Nunes


A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá- las do meu coração, como bem disse Charles Chaplin. E é o que faço com relação ao meu grande amigo Edson Nunes, que partiu no dia 3 de dezembro de 2011. Sim, o jornalista Edson Batista Nunes, o nosso Edson, fez sua partida desta vida terrena, na noite do dia três de dezembro último, cumprindo sua missão aqui na terra. De religião espírita convicto, ele não temia a morte, embora gostasse muito da vida, mas sempre dizia que, quando chegasse o momento, estaria "pronto para o desencarne." Espiritualmente, Edson já deve estar ajudando muitas almas no lado de lá, pois sempre foi muito generoso.


Vítima de um câncer avançado no pâncreas, o qual, entre manifestar e matar, não levou três meses, Edson deixou muito tristes seus filhos adotivos, criados com todo amor: Ângela, Alex, Bruno, Alan, Alessandra e Adriana. E não só eles estão sofrendo com sua morte, mas os amigos também, como eu, que o estimava demais! Mais que um colega/jornalista, mais que um amigo, Edson Nunes foi um irmão de fé, pois tínhamos muitas afinidades ideológicas, religiosas, humanísticas em comum. Daí sempre fazermos um para outro confidências recíprocas.


Edson era uma pessoa muito especial por seu humanismo, coerência política e coragem para expor suas ideias. Ótimo pai, criou seus seis filhos com amor e competência, numa faixa etária que vai de 41 anos decrescentes (Ângela, a mais velha) até 18 anos, (Adriana, a mais nova). Excelente profissional, com senso de humor sutil, irônico e inteligente; ativista político (apaixonado pela causa gay que lhe deve muitos projetos, alguns já aprovados), ideólogo idealista, mente aberta e vanguardista, lutou contra a homofobia, contra outros preconceitos e contra as injustiças sociais.


Membro-fundador do PT, era considerado personalidade histórica dentro do partido. Firme e intransigente em suas opiniões, polêmico e radical, não fazia concessões, o que lhe causou algumas idiossincrasias na militância petista. Foi candidato a vereador e deputado pelo PT, mas não se elegeu, embora muito bem votado. Nos últimos anos, andava desiludido e magoado com certos rumos que o partido ia tomando, bem diverso daquele dos primórdios, que ele ajudou a construir, junto com Dona Helena Greco (também de saudosa memória) e muitos outros. Mas continuava fiel ao PT, que ele muito amava, e idolatrava o presidente Lula, apesar de decepcionado com certo integrante de seu governo, a quem assessorara anos antes, aqui em Minas.


Edson estimava e admirava de forma especial o ex-ministro Luiz Dulci, o ex-deputado federal Virgílio Guimarães, que falou belas palavras em seu sepultamento; o presidente do PT Aloísio Marques, a economista Dirlene, Dona Helena e Bizoca, o médico e secretário municipal de Assistência Social Jorge Nahas, os jornalistas Geraldo Melo, Américo Antunes, Aloísio Lopes, Vicente dos Anjos, Nilmário Miranda e Tilden Santiago. Já entre mim e Edson, embora de partidos de esquerda diferentes, sempre prevaleceu o respeito democrático, pois nossa amizade, admiração recíproca e lealdade estavam acima de qualquer outra coisa. No meio jornalístico, tinha amizade, admiração e confiança em Dídimo Paiva, Fernando Miranda, Edson Martins, José Otávio Alkmim, João Bosco Teixeira de Salles, Rogério Carnevale, Ana Maria de Oliveira, Virgílio Horácio de Castro Veado, dizendo sempre que, no Estado de Minas, onde trabalhou, aprendeu muito com todos eles.


Conversávamos muito sobre a vida, nossa profissão, nossos filhos, nosso SJPMG, nossos relacionamentos, nossas crenças religiosas. Médium esotérico dos melhores, ao final de cada ano, a meu pedido, Edson jogava o tarô egípcio para mim. Certo dia, em 2008, esteve em minha casa e entregou-me de presente o livro do tarô, dizendo que um dia me ensinaria a jogar as cartas. Bateu as asas sem podermos cumprir esta etapa, mas tudo bem; fica o livro como lembrança dele. O escritor Guimarães Rosa dizia que "as pessoas não morrem, pois ficam encantadas". Portanto, é como se o Edson tivesse se encantado naquele livro, que recebeu tanto de sua energia positiva. Na parte espiritual, ele ajudou muita gente, dando seus passes mediúnicos no Centro Espírita kardecista que ele frequentava com toda a família.


Edson trabalhou por muitos anos, como repórter e editor nos Diários Associados (Diário da Tarde e Estado de Minas) e no extinto Diário de Minas, atuando nas editorias de Economia e de Política Internacional. Nos últimos anos trabalhou em assessorias de imprensa de algumas secretarias da Prefeitura Municipal, como esta última, de Direito e Cidadania, de onde ele se licenciou, quando adoeceu recentemente.


Edson sempre trabalhou com prazer e bom humor, o que é fundamental numa profissão estressante como a nossa. Ele foi diretor da Casa do Jornalista, quando fui a coordenadora do Colegiado da Casa, forma político-cultural que deu muito certo, em total entrosamento com a gestão do então presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de MG, Luiz Carlos Bernardes de Assis, o nosso estimado Peninha. Este também ficou pesarosíssimo com a partida do Edson, a quem neste site rendemos nossa homenagem.


Enfim, como escrevemos em sua lembrança de réquiem, Edson Nunes resume-se nestes dizeres: "Para muitos você foi especial, mas para nós não foi apenas isso. O seu jeito de ser, de viver e amar as pessoas fez com que você se tornasse eterno em nossos corações. Sempre sentiremos sua falta. No entanto, o que nos conforta é saber que tivemos o privilégio de compartilhar a vida com você. Nós sabemos que você partiu, porém o caminho que percorreu fica como exemplo de vida para todos nós.


*Dinorah Carmo foi a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais


 

Autor: 
Dinorah Carmo
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