Coletivo Lena Santos protesta contra fim de “Conversações”

A decisão da Rede Minas, de retirar de sua grade de programação o programa “Conversações”, que é apresentado pelo jornalista Cláudio Henrique, gerou apreensão no Coletivo Lena Santos, que hoje divulgou carta aberta à Rede Minas protestando contra o fim do programa. O “Conversações” é um espaço dedicado à literatura em especial à que é produzida por negros.  Na documento, o Lena Santos pede à direção da emissora que mantenha o programa no ar.

“Respeitar a cultura e a diversidade é mais do que criar espaços. É manter os que já foram conquistados”, diz nota do coletivo divulgada nas redes sociais. No documento encaminhado à direção da emissora, o coletivo destaca que o programa sempre procurou dar voz ao cidadão comum e despertar no publico a sensação de pertencimento, de representatividade na pessoa do próprio apresentador, que é um jornalista negro.  A nota também ressalta o papel transformador do diálogo e da transparência, bem como da comunicação e da TV pública, além do caráter inclusivo  e educativo da literatura. A íntegra da nota está em: https://bit.ly/3iJTTQ7.

Em artigo publicado no portal Dom Total, o escritor e editor-chefe do grupo Caravana Editorial, Leonardo Costaneto, também protestou contra o fim do programa.  “O Conversações é um dos poucos espaços  mineiros dedicados à literatura fora do mainstream e com foco diferenciado para o tema e atenção especial à literatura produzida por negros. Fiquei apreensivo ao saber que se pretende retirar esse programa do ar”, afirmou Costaneto.

Para ele, o programa também é importante por abrir espaço para novos escritores. “Tendo estreado em 2017, o Conversações é mediado com uma linguagem simples e descontraída, abrindo espaço para escritores da cena independente e leitores comuns, aqueles ditos não-especializados, que também não estão nos grandes redutos da arte, gente simples e periférica. Entendo ser este o papel de uma emissora pública e educativa – tornar a arte em suas mais distintas manifestações um bem comum, porque, assim como já nos disse o ensaísta Antônio Cândido, no seu célebre artigo ‘O direito à literatura’, publicado em 1988, ano da promulgação da Carta Magna, quando o país retomava o rumo da democracia, esta que hoje vive sob constante tensão, o acesso à fruição das artes, em especial à arte literária, é fundamental, porque ela organiza o caos da linguagem, do mundo e do ser humano”, afirmou o escritor. A íntegra de seu artigo pode ser lida em: https://bit.ly/3yNh4yn.

 

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