A televisão gerando reflexão no sofá amarelo, por Rogério Perez

O mês de janeiro de 2021 terminou e vai ser marcado na história como o início da vacina contra a maior pandemia já vista no mundo.
Nesta última semana de janeiro, do meu sofá amarelo, fiz um exercício de memória sobre duas pessoas que tive o privilégio de conhecer, na capital mineira, no exercício o ofício do jornalismo e um ponto comum neste momento: a televisão.
Na época em que podíamos aglomerar para animadas resenhas, beber algumas cervejas geladas e apreciar o saboroso fígado com jiló no Bar do Hélio, no tradicional Mercado Central, era comum encontrarmos com o “Miquica” andando pelos corredores entre os vários pontos de vendas de queijos e frutas.
“Miquica” foi sempre muito receptivo aos inúmeros fãs que o cercavam para um elogio ou para tirar uma fotografia de recordação.
O “Miquica” do mercado central foi jogador do Atlético nas décadas de 1950 e 1960. Com a camisa do Galo, o ex-jogador fez 274 jogos e marcou 135 gols. Além disso, venceu 6 títulos mineiros e é um dos principais jogadores na história do glorioso.
Formalmente é conhecido no mundo do futebol como Ubaldo Miranda e hoje está com 90 anos.
Pelo movimentado grupo de watzapp da Perez Family recebo a informação que a torcida atleticana, sempre fanática e que valoriza seus ídolos, iniciou pelas redes sociais uma “vaquinha” virtual para comprar uma televisão para o Ubaldo. Como deve ser feito no marketing, o novo patrocinador do Galo percebeu a repercussão e doou uma televisão para o ídolo alvinegro. A comovente matéria veiculada pela TV Galo, informa que a televisão do Ubaldo queimou e ele não estava podendo acompanhar os jogos do time que tanto ajudou nos gramados e que é sua maior paixão.
Atitude elogiável dos torcedores e patrocinador e crítica ferrenha ao mundo capitalista selvagem que deveria dar a melhor vida para o Ubaldo que deu tanta alegria para os amantes do futebol. Cruz credo para este capitalismo selvagem…
Ubaldo, antes dos jogos dos Galo, também poderá acompanhar um ícone da televisão brasileira que me recordo de bons tempos, na avenida Alvares Cabral, quase em frente da nossa Casa do Jornalista, quando trabalhei na sucursal do Jornal O Estado de S. Paulo. Naquela época, entre os colaboradores da crônica esportiva tinha um tal de Fausto.
Pelo grupo de notícias de internet, recebo a informação que o Fausto está rescindindo o contrato com a poderosa Rede Globo Televisão e deixando um ganho mensal aproximado de cinco milhões. Um dos maiores salários da televisão brasileira. Ohh louco meu …
O Fausto do estadão que hoje está com 70 anos de idade é formalmente conhecido como Fausto Corrêa da Silva e popularmente conhecido como Faustão.
Do sofá amarelo reflito como a televisão retratou tão bem a desigualdade social neste país grande e bobo nesta última semana deste mês de janeiro. O craque do futebol de beagá ganhando uma televisão enquanto o apresentador de televisão rescindo um contrato milionário depois de uma carreira com passagem nesta mesma beagá. Menos gente ….
Chegada a vacinação contra a COVID, incialmente para o setor da saúde, espero que venha rápido as vacinas para os próximos grupos. Este escriba deseja também uma dose de mais amor e melhor distribuição de renda para a brava gente brasileira…

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4 comentários

  1. Desigualdade realçada pelo fácil acesso à informação. Lembro falarem que os craques da seleção brasileira tri campeã do mundo em 1970 no México ganharam um Fusca como prêmio… Kkkk Hoje recebem milhões para não ganhar nada…lembram do 7×1 Mineirão? Melhor esquecer meamo!

  2. Excelente reflexão em relação a desigualdade social. Na época que o Ubaldo jogava um bolão acho que não tinha ninguém na TV com salário proporcional ao Faustão também . A desigualdade social aumenta a cada dia . Que venha a vacina contra o COVID para todos e também mais amor entre as pessoas no período de pós pandemia .

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