Jornalistas comemoram condenação de Eduardo Bolsonaro por ataques a Patrícia Campos Mello

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) foi condenado a pagar indenização por dano moral no valor de R$30 mil à jornalista Patrícia Campos Mello (foto), da Folha de São Paulo. A sentença foi publicada nesta quinta (21/1). Cabe recurso.

Ajuizada em junho de 2020, a ação foi motivada por declarações machistas feitas pelo parlamentar em maio, no canal Terça Livre, no Youtube. Ele afirmou que a jornalista tentou seduzir sexualmente uma de suas fontes para obter informações prejudiciais ao pai, Jair Bolsonaro.

A fonte em questão é Hans River do Nascimento, ex-funcionário da agência de marketing digital Yacows. Em dezembro de 2018, reportagem de Patrícia mostrou que, durante as eleições presidenciais daquele ano, uma rede de empresas, entre elas a Yacows, recorreu ao uso fraudulento de nomes e CPFs de idosos para registrar chips de celular e assim disparar lotes de mensagens favoráveis a políticos.

Convocado para depoimento à CPMI das Fake News em fevereiro de 2020, Nascimento disse que Patrícia se insinuou sexualmente em troca de informações para sua reportagem. Com base nesse depoimento, considerado fraudulento por membros da CPMI, Eduardo e outros membros da família Bolsonaro intensificaram os ataques à jornalista.

“Essa Patricia Campos Mello, que vale lembrar, tentou seduzir o Hans River. Não venha me dizer que é só homem que assedia mulher não, mulher assedia homem, tá. Tentando fazer uma insinuação sexual para obter uma vantagem, de entrar na casa do Hans River, ter acesso ao laptop dele e tentar ali, achar alguma coisa contra o Jair Bolsonaro”, disse o deputado durante o programa do Canal Terça Livre.

O presidente Bolsonaro também insultou a jornalista. “Ela queria um furo. Ela queria dar o furo”, disse a simpatizantes na época, em frente ao Palácio da Alvorada.

Na decisão que condenou Eduardo Bolsonaro, o juiz Luiz Gustavo Esteves, da 11ª Vara Cível de São Paulo, declarou que houve clara ofensa à honra de Patrícia, pois Eduardo Bolsonaro “lhe imputou, falsamente, (a) a prática de fake news e, via consequência, a conquista de uma promoção no trabalho e (b) que teria se insinuado sexualmente para obter informações do seu interesse”.

Reações femininas

Numa demonstração de união contra o aumento do número de ataques a mulheres jornalistas desde o início do governo Bolsonaro, várias profissionais da imprensa comemoraram a decisão judicial.

Julia Duailibi, da GloboNews, afirmou que o deputado Eduardo Bolsonaro foi “condenado por dizer mentiras” contra Patrícia. Ela também destacou um trecho da sentença do juiz, que recomenda que o parlamentar “deve ter maior cautela nas suas manifestações, o que se espera de todos aqueles com algum senso de responsabilidade para com a nação”.

Helena Bertho, diretora de redação da RevistaAzMina, classificou a condenação como justíssima e afirmou que ela lava a alma de todas as jornalistas brasileiras.

Já Carla Jimenez, do El País, afirmou que “a decisão mostra que é hora de restaurar valores no Brasil e de pôr a ética no devido lugar”. “A Justiça tem essa chance nas mãos.”

Jeniffer Mendonça, repórter da Ponte Jornalismo, também salientou o caráter simbólico da decisão. “Foi uma grande vitória para a Patrícia e para todas as jornalistas.”

 

(Publicado pelo Portal Imprensa.)

 

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