Amor platônico, por Fernando Ângelo

Quando eu nasci, ela já havia completado 7 anos de vida. Ao comemorar meus 7 anos, ela mocinha, era o centro das atenções. Cheia de novidades, um visual diferente de tudo que existia. Foi quando a vi pela primeira vez na casa do vizinho da frente.

Todos os dias, indo e voltando da escola, eu fazia aquele trajeto, ansioso para vê-la, e ficava maravilhado! Como podia ser tão bonita, inteligente, quanto mistério ela trazia em si, quanta luz!

Ainda criança, comecei a cultivar o sonho de conhecê-la melhor, e saber tudo sobre ela. Ela se mostrava cada dia mais bonita, charmosa e intrigante, crescendo saudável e sendo admirada por todos.

Nos finais de semana, me lembro da fila que se formava na rua, de meninos como eu, torcendo para o vizinho abrir a janela e a gente conseguir vê-la, mesmo à distância. Era um misto de admiração e incredulidade.

Sem que eu percebesse, começou a despertar em mim, um sentimento profundo por ela, inexplicável. Um amor platônico que eu cultivei até os meus 17 anos de idade, quando, para minha sorte, começamos a nos conhecer melhor.

No início, era uma relação difícil, complicada. Eu, mais novo, não entendia muitas coisas e, principalmente, o fato de ela ser amada e desejada por todos que a viam.

Quando eu comecei a entender seus mistérios, sua magia, seus encantos, eu me apaixonei por completo. Mesmo sabendo que eu não seria o único a desfrutar das coisas boas que ela trazia. E foram anos de um ótimo relacionamento e aprendizado que me fizeram amadurecer para a vida!

Até que, por um capricho do destino, nos separamos e cada um seguiu o seu caminho.

Eu confesso que, mesmo separados, eu não consegui esquecê-la em momento algum. Aí, tive a certeza de que, embora distantes, a gente sempre estaria ligado na mesma sintonia.

Não posso negar que me envolvi em outras aventuras nos anos seguintes, me apaixonei, me entreguei, me dediquei, mas a marca indelével daquele amor de infância iria, sim, me acompanhar pelo resto da vida.

Hoje, depois de tanto tempo, como eu já imaginava, continuamos ligados.

Não tem um dia sequer que não a vejo. Em todos os lugares, lá está ela, brilhando, atraindo os olhares, conquistando mais e mais corações.

Claro, já não somos mais os mesmos, nem eu, nem ela, mas ainda a considero jovem, bonita, se reinventando a cada dia. Chego a pensar que o tempo não passou e nem vai passar para ela.

É, quem previa a morte da televisão com o advento da internet, acho que errou feio. Parabéns e vida longa para esta paixão nacional, a senhora TV, que está completando 70 anos de Brasil!

 

[25/9/20]

 

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2 comentários

  1. Fernando Angelo, mineiro da gema, pouco que o conheço veio de família que brilha e brilhou as telas de TV , eu particularmente sou fã desse cara onde a Senhora TV o inclui como um grande artista brasileiro. Amo e sou fã, parabéns 70 anos da TV e quanto sucesso representado por vc desses artistas que vc imita a tantos com tanta competência.

  2. Fernando, conheci vc. nos palcos. Agora admiro outra face. Bem-vindo ao pedaço, cara.

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