Facebook: da glória à infâmia em 15 anos

Por CARLOS ALVES MÜLLER*

Este é o último texto da série iniciada no ano passado sobre como as plataformas digitais funcionam, como afetam a maneira pela qual as pessoas se informam e se comunicam, e como isso tem transformado as sociedades contemporâneas, em particular a brasileira. A ideia era que fosse publicado na segunda quinzena de fevereiro e logo reunido aos ensaios anteriores num livro digital a ser publicado pelo Instituto Palavra Aberta. Uma sucessão de fatos novos ocorridos desde então, em especial a difusão ao vivo e a posterior reprodução do massacre de pacíficos cidadãos neozelandeses em Christchurch, no dia 15 de março, fez com que essa programação fosse alterada.

O Facebook é uma das maiores empresas tecnológicas contemporâneas. Com a Alphabet (dona do Google), forma um duopólio em quase todos os países ocidentais; duopólio que na verdade é um monopólio em suas respectivas especialidades – no caso Facebook, monopólio como rede social baseada nas informações fornecidas por seus usuários (que, em sua maioria, não sabem em que extensão e como são exploradas comercialmente pela empresa, especialmente por meio das outras empresas do grupo: WhatsApp e Instagram).

Este texto, entretanto, se limitará ao Facebook fundado há apenas 15 anos (em 4/2/2004) por um pequeno grupo de estudantes, no início em seus dormitórios da Universidade de Harvard (o filme a respeito, embora tenha um viés ficcional, é razoavelmente fidedigno) liderado pelo pouco sociável Mark Zuckerberg. E nisso há outra ironia da vida, pois seu sobrenome, em alemão significa literalmente “montanha de açúcar”, algo que ele definitivamente não é: nem montanha, nem um “doce de pessoa”, como tem demonstrado.

A glória

Em apenas 15 anos a empresa tornou-se um fenômeno sem precedentes na história pela rapidez e amplitude com que conquistou adeptos. Uma comparação da jornalista Meira Gebel, do saite especializado Business Insider (confirmada por dados do World Atlas), dá uma ideia mais clara dessa abrangência: Com 2,32 bilhões de usuários mensais, o Facebook tem mais seguidores do que todos os ramos do cristianismo juntos, uma vez que a cristandade, com seus 2,3 bilhões de fiéis conquistados, às vezes pela violência, ao longo de 2019 anos, é a maior religião do mundo. Também é maior que a população de qualquer país ou que o número de pessoas que falem qualquer idioma.

O saite especializado TIInside fornece outras informações sobre o tamanho da Internet e do Facebook em matéria de 27/2/2019:

“… levantamento deste ano feito pelo Statista [saite norte-americano de estatísticas], a Índia é o país com maior número de internautas que usam a rede… 300 milhões de pessoas. Em seguida, estão os Estados Unidos com 210 milhões de usuários. O terceiro lugar é ocupado pelo Brasil, com mais de 130 milhões de usuários; a cada 10 brasileiros conectados, 8 usam o Facebook”.

Uma boa cronologia dos 15 anos está em “Facebook’s first 15 years were defined by user growth – From dorm room to global dominance, Facebook’s path to 2.3 billion users” – dos jornalistas Kurt Wagner e Rani Molla, publicada em 5/2 deste ano no saite especializado Recode.

O irresistível atrativo de proporcionar a qualquer pessoa o estabelecimento de contato com parentes, amigos ou conhecidos “gratuitamente” levou a rede social à glória e seu principal fundador, Mark Zuckerberg, à condição de um dos maiores bilionários do planeta. A revista e saite de finanças e economia Forbes faz um monitoramento diário das grandes fortunas globais. No dia em que este texto estava sendo finalizado (27/3/19), a riqueza pessoal de Zuckerberg era estimada em US$ 61,8 bilhões. Embora tenha “apenas” 10% do capital do Facebook, ele detém 60% das ações com direito a voto, o que torna difícil qualquer rebelião de acionistas devido aos erros que vem cometendo.

Nem por isso, nem por ter frequentado sem concluir uma das melhores universidades do mundo, ele entendeu que a fortuna nos vários sentidos da palavra não é eterna nem para a empresa, nem para ele. Assim, tão rapidamente como ascendeu ao olimpo do empreendedorismo, a criatura (e o criador) perdeu o encanto e se tornou “a empresa de tecnologia que as pessoas adoram odiar”, como diz Alexis Madrigal, colunista da revista e do saite liberais norte-americanos The Atlantic.

A tormenta

Como os negacionistas da mudança climática, Zuckerberg não viu ou fingiu não ver as evidências de que os tempos já não eram os mesmos. Alguns analistas localizam os primeiros indícios de tempestade pela proa da nau Facebook em 2016, quando surgiram as acusações de que havia permitido que fosse utilizada (quando não contribuído de forma consciente para) a disseminação de notícias falsas que favoreceriam a eleição de Donald Trump e o voto pela saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit).

Clique AQUI para ler a íntegra do artigo no saite da ANJ.

*Doutor em Estudos Comparados em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília (UNB), especializado nas implicações da tecnologia ao jornalismo. Consultor da Associação Nacional de Jornais (ANJ). Artigo publicado originalmente no Instituto Palavra Aberta.

 

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[13/8/19]

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