O Uivo, revista de trabalhadoras sexuais, será lançada dia 4/8, domingo, em BH

O coletivo Clã das Lobas lança no dia 4 de agosto, domingo, ao meio-dia, em Belo Horizonte, a revista O Uivo, feita por e para trabalhadoras sexuais. O lançamento acontecerá num almoço gratuito para o público da revista e seus familiares, no restaurante Bin Laden e Família 2, situado à Rua dos Guaicurus, 446, e terá também sarau e performances.

O projeto editorial da revista pretende fugir do padrão tradicional de matérias que retratam prostitutas no exercício da sua profissão. A ideia é dar voz às trabalhadoras do sexo cisgênero, transexuais e travestis e mostrá-las como cidadãs que têm vida familiar e social como quaisquer outras mulheres, que têm opiniões e interesses, além de problemas específicos, como a violência. A matéria de capa da primeira edição abordará como a crise econômica profunda pela qual passa o Brasil está afetando essas trabalhadoras.

Taís Leão, uma das responsáveis pela revista, explica que as trabalhadoras sexuais não têm meios para expressar seus pensamentos e não querem se expor. Na revista, elas poderão se expressar sem se expor. “A revista será um diálogo entre as profissionais do sexo e a sociedade. Queremos que a sociedade nos veja como seres humanos”, disse.

Esse esforço se traduz numa pauta diversificada, que contará com colaboradores, em sistema de rodízio, entre eles Flávio Dornas, gerente do Magnífico Hotel, na seção de gastronomia, e Luiz Morando, professor da UFMG, na seção de história. Na primeira edição, Morando escreve sobre o Cintura Fina, célebre personagem da zona boêmia de Belo Horizonte. Dornas, por sua vez, escreve sobre e dá a receita do angu à baiana, prato típico da região.

“A ideia é resgatar a história da Rua Guaicurus e valorizar seus comerciantes”, contou Taís.

O Uivo terá também uma seção de auxílio jurídico e social, a cargo da administradora Clara Oliveira, pesquisadora e doutoranda pela UFMG. Seu primeiro artigo será sobre a aposentadoria das trabalhadoras sexuais.

A revista falará ainda de formas de prevenção à violência na profissão e terá uma seção de literatura, que promete revelar talentos entre o público da revista. “Já tenho um punhado de livros para ler”, informou Taís.

O Uivo faz parte de um trabalho apoiado pela fundação americana Open Society que pretende combater a violência contra trabalhadoras sexuais cisgêneros, transexuais e travestis. A iniciativa, que tem âmbito nacional, escolheu a capital mineira para execução do projeto piloto. Sua primeira ação foi o 1º Fórum de Enfrentamento à Violência contra as Trabalhadoras Sexuais, realizado em agosto e setembro de 2018.

Fundado há um ano em Belo Horizonte por trabalhadoras sexuais com o objetivo de prestar assistência social às colegas de profissão, o coletivo Clã das Lobas foi escolhido pela Open Society para coordenar a produção da revista.

 

#LutaJornalista

#SindicalizaJornalista

[26/7/19]

Veja também

Estudo global revela efeitos da pandemia no jornalismo

Por Taylor Mulcahey, IJNet A pandemia de covid-19 impactou muitos jornalistas e redações de uma ...

Um comentário

  1. Excelente iniciativa. Precisamos ser vista e reconhecidas como sujeito Político de direitos, não como meras Prostitutas e vagabundas, como costumam nós classificar. Somos cidadãs, pagamos impostos como qualquer pessoa, Queremos respeito e acima de tudo o reconhecimento de nossa ocupação. É contraditório termos cbo e nosso trabalho não ser reconhecido por lei.
    #TrabalhoSexualÉTrabalho

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *