Glenn Greenwald: conteúdo justifica vazamento de conversas entre Moro e Deltan

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, um dos fundadores do The Intercept Brasil, que publicou vazamentos de mensagens trocadas entre o então juiz Sérgio Moro e o procurador da operação Lava Jato Deltan Dallangnol, disse em entrevista ao programa Faixa Livre, da Rádio Bandeirantes, que a importância do conteúdo das conversas justifica sua divulgação, mesmo que tenham sido obtidas de forma ilegal. Ele disse que, ao criticar a fonte, Moro e Deltan tentam desviar o olhar do público do comportamento “totalmente errado” que tiveram, e chamou atenção para o fato de que nem um nem outro negou a autenticidade das mensagens ou se defendeu.

“Eu sou um jornalista que fez muitas vezes reportagens sobre facções poderosas e governos. É sempre a mesma coisa: quando você mostra comportamento, corrupção, qualquer coisa que facções poderosas fizeram, elas sempre tentam distrair, atacando jornalista ou fonte, dizendo que são as vítimas”, disse Greenwald.

Ele disse que é irônico que Moro e Deltan critiquem o vazamento, porque a Lava Jato está usando vazamentos há cinco anos. “Eles usaram os mesmos métodos que agora estão criticando, porque agora estamos usando para divulgar a corrupção deles”, disse o jornalista, citando o vazamento da conversa entre a então presidenta Dilma e o ex-presidente Lula, em 2016.

“Isso é jornalismo”, frisou Greenwald. “Estamos mostrando o que as pessoas mais poderosas nesse país estavam fazendo quando ninguém conseguia ver.”

Ele lembrou que ganhou um Prêmio Esso quando, trabalhando em parceria com Edward Snowden, publicou no Globo e na revista Época material mostrando como o governo e os brasileiros eram vítimas de invasão de privacidade pelo governo dos Estados Unidos. “Estamos fazendo a mesma coisa”, disse o jornalista. “Infelizmente, agora, a grande mídia, com exceção da Folha de S. Paulo, não está fazendo jornalismo sobre a Lava Jato, ela é parceira da Lava Jato”, criticou.

Greenwald disse que no passado sempre apoiou a Lava Jato e que em um evento no Canadá, em 2017, no qual a força-tarefa foi premiada, ele elogiou, em discurso, a operação e teve seu comentário compartilhado por Deltan Dallagnol nas redes sociais. “É impossível falar que o motivo do jornalismo do The Intercept Brasil é atacá-la. O fato é que o trabalho que a força-tarefa já fez é bom, mas eles não têm o direito de quebrar leis, fazer coisas antiéticas, mentir para o público. Esse é o ponto principal que todo mundo precisa entender”, disse.

O jornalista informou que tem muito mais material sobre Moro, Deltan, outros procuradores e juízes, a Lava Jato, mostrando “comportamento que não é certo”. Revelou que o material é muito maior do que o vazado por Snowden, que, naquele momento, foi o maior arquivo já vazado, mas que The Intercept está tendo muita cautela na divulgação.

“O Deltan e o Moro mentiram explicitamente muitas vezes para o público, negando esses documentos que mostram que eles estavam o tempo todo juntos para construir o processo de acusações, que depois Moro julgou fingindo que era justo”, disse.

(Com informações do programa Faixa Livre.)

 

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[11/6/19]

 

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