‘O Gigante do Ar’

Por deputado Professor Wendel (foto).

A Rádio Inconfidência na frequência AM pode ser extinta pelo governo de Minas. Como vice-presidente da Comissão de Cultura da Assembleia afirmo que este é um fato preocupante e triste. Afinal, a Inconfidência, como é popularmente conhecida, pode ser considerada um verdadeiro patrimônio cultural em nosso estado. Criada em 1936, portanto octogenária, a Inconfidência AM tinha como pilares Cultura, Cidadania e Educação. Na chamada época da era de ouro do rádio, a Inconfidência era conhecida como “O Gigante no Ar”, apelido que mostrava sua importância, pois na década de 30, o rádio com suas características de instantaneidade e alcance significava uma verdadeira “revolução” nas comunicações. Só para se dar um exemplo de sua importância naquela época, um telegrama, que era considerado um meio rápido de comunicação demorava cerca de três dias para chegar ao destino. A Inconfidência rompia as barreiras e de imediato chegava em todo interior do Estado e tinha um programa que era o maior sucesso: “A Hora do Fazendeiro”, considerado o mais antigo e tradicional programa de rádio do país, sendo veiculado até hoje.

Percebe-se então que ela é uma emissora que tem história, que acumula capital cultural e guarda importantes referências na área de comunicação. As causas apontadas para o fechamento mesclam questões financeiras, pois afirma-se que a rádio não se banca e tecnológica, pois todas as rádios AM vão acabar. Claro que como um apaixonado pela cultura e membro da Comissão de Cultura da Assembleia minha posição é contra o fim da Inconfidência AM e penso que o governo deve repensar sua posição. Esta tem que ser nossa reivindicação embora muitos afirmem que é uma decisão irreversível. Também segundo informações, o plano é melhorar a audiência da FM e atrair anunciantes e assim, tornar a rádio autossustentável. Mas será que para isso será necessário descaracterizar o caráter público e educativo da rádio? Isso é lamentável porque um patrimônio educativo e cultural tem é que ser preservado e não descaracterizado.

Outra preocupação é com relação ao pessoal, pois segundo informações, com cerca de uma centena de funcionários, a emissora também vai passar por um processo de demissão. Além de terceirizados e comissionados, até concursados devem ser exonerados. Portanto uma situação que abre duas tristes realidades em nosso estado: mais uma perda de vagas de trabalho em um cenário difícil da vida econômica e o fim de um importante e significativo patrimônio cultural e educativo.

(Publicado pelo deputado Professor Wendel na sua coluna no jornal Hoje em Dia.)

 

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[14/5/19]

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