Pego na mentira, coronel do PSL ataca jornalistas

O militar não entende que agora, como homem público, deve satisfação dos seus atos e palavras. E que os jornalistas têm a obrigação de apontar os erros e acertos dos homens públicos.

O deputado Coronel Sandro, do PSL, fez um ataque violento e ofensivo à imprensa na tarde desta sexta-feira, 29/3, em reação a matérias publicadas no site Novos Inconfidentes e no jornal Estado de Minas, sobre uma notícia enganosa que ele havia veiculado nas suas redes sociais. “O analfabetismo funcional epidêmico misturado a um esquerdismo doente nas redações, explicam a enorme decadência pela qual atravessa a mídia tradicional. Contra vocês, jornalistas militantes, jamais me acovardarei”, afirmou em postagem na sua página Facebook . Ele chegou a citar uma jornalista e pedir a demissão de outro profissional.

O site Os Novos Incofidentes não foi mencionado no poste, nem pode ser considerado mídia tradicional. Mas, nós nos sentimos ofendidos do mesmo jeito por termos sido os primeiros a publicar a matéria e por termos sido procurados pelo deputado e seus assessores com exigência de “retratação”.

Tanto ódio do deputado-militar aos jornalistas porque ele fez uma promessa em postagem marqueteira, não a cumpriu totalmente e foi flagrado pelo jornalista Marcelo Gomes, que publicou a primeira matéria em Novos Inconfidentes nesta quinta-feira (28/03), e Isabela Souto, que escreveu sobre o assunto no dia seguinte (29) no Estado de Minas. Em vez de reconhecer e corrigir o erro, como mandam os princípios da boa política e da transparência, o coronel partiu para cima da imprensa de forma deselegante e feroz. O militar não entende que agora, como homem público, deve satisfação dos seus atos e palavras. E que os jornalistas têm a obrigação de apontar os erros e acertos dos homens públicos.

Vamos ao miolo do novelo. O coronel do PSL publicou em 4 de fevereiro no Face: “Estou abrindo mão do auxílio moradia no valor de R$ 4.377,73 e da ajuda de custo, no valor de R$ 27.000,00”. Mas, conforme revelado por Marcelo Gomes, com base na prestação de contas do próprio deputado, ele gastou no mês passado mais de R$ 9 mil dessa verba, que é concedida todo mês pela Assembleia de Minas aos 77 deputados estaduais. Flagrado na propaganda enganosa, o coronel alegou em sua mídia social e também em contato com os jornalistas que suas palavras foram mal interpretadas.

“Nunca falei em verba indenizatória. Abri mão da ajuda de custo porque é para despesas pessoais e não concordo com ela”, disse o deputado. Sua resposta sugere que há dois benefícios. Porém, como se pode verificar no portal da Assembleia, verba indenizatória e ajuda de custo são uma coisa só; são expressões diferentes usadas para designar um mesmo benefício, que é a restituição ao parlamentar de valores gastos em “despesas inerentes ao mandato”, no limite de até R$ 27 mil.

Ou o coronel se confundiu por desinformação, por ser deputado novo. Ou fez confusão de propósito, porque é arrogante e não consegue admitir seus erros. De qualquer forma, a sua postagem foi um engodo para levar o seguidor no Face a achar que ele estava renunciando à ajuda de custo na Assembleia. O que não é bem a verdade.

O mais incrível é que, contra todos os fatos, o deputado teve a coragem de chamar de ‘fake news’ as matérias sobre o seu poste falso. E para confundir ainda mais, ele pediu a cabeça do “estagiário do Estado de Minas” quando na realidade se referia a Marcelo Gomes, de Novos Inconfidentes.

Se o coronel tivesse um pouco de humildade e mais respeito à democracia, ele teria agradecido aos jornalistas Marcelo e Isabela por mostrarem, com toda a clareza, os erros que vem cometendo em sua comunicação digital.

Como nós, jornalistas, somos tolerantes, democratas e não guardamos rancor, aqui vai um conselho de profissionais para ajudar o Coronel Sandro a arrumar a sua comunicação e a não cair em novas confusões.

Coronel, consulte aqui a página da Assembleia com todas as explicações sobre remunerações dos deputados. E troque a pessoa que está gerenciando o seu Face. Ela ainda vai te derrubar.

(Por Raquel Faria. Publicado no saite Os Novs Inconfidentes.)

 

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[2/4/19]

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