Sem vale alimentação, trabalhadores da Rádio Inconfidência querem esclarecimento do governo

Os trabalhadores da Rádio Inconfidência estão revoltados com o não pagamento do vale alimentação e preocupados com o futuro da emissora, que sofreu corte drástico na sua verba de custeio, pelo novo governo estadual. Eles vão pedir a interferência da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego e querem uma audiência com o chefe de gabinete Felipe Amado e com o secretário de Cultura, para obter esclarecimentos.

O vale alimentação está previsto em Acordo Coletivo de Trabalho assinado em 2018, com validade até 2020, mas não está sendo pago pelo governo Zema. Seu corte atinge diretamente a alimentação dos trabalhadores. O benefício é muito importante, pois representa cerca de metade do salário dos técnicos e um terço do salário dos jornalistas.

Situação caótica

O vale alimentação dos trabalhadores da Inconfidência não foi pago este mês. Diante disso, eles se mobilizaram, realizaram uma assembleia na tarde de ontem (12/3) e pediram esclarecimentos do diretor financeiro da emissora, que responde também pela presidência, pois este cargo continua vago no atual governo.

Souberam então que a situação da Inconfidência é caótica e que o problema vai muito além do não pagamento da vale alimentação. Um decreto do governador Zema, de 7 de fevereiro passado, reduziu a verba de custeio da emissora de R$ 1 milhão 212 mil 681 para R$ 70 mil, valores anuais. Ou seja, menos de 6% do valor original. A rádio terá míseros R$ 5.833 por mês para pagar todas as suas despesas de custeio.

Também as verbas de custeio da Rede Minas foram contingenciadas.

Os trabalhadores querem saber qual é o objetivo do governo ao cortar drasticamente os recursos da Inconfidência. Matar a emissora à míngua? Como a Inconfidência – rádio pública de fundamental importância para o estado e patrimônio dos mineiros – vai funcionar sem recursos?

A empresa que fornece o vale alimentação cortou o benefício por falta de pagamento. Também sem pagamento, o provedor de internet já está cortando o serviço de correio eletrônico. O que virá em seguida? Corte de fornecimento de energia elétrica? Corte de água? Corte de carros de reportagem?

Pela preservação da Rádio Inconfidência e da comunicação pública em Minas Gerais!

Luta, Jornalista!

Sindicaliza, Jornalista!

Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais

[13/3/19]

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4 comentários

  1. Esta política de exvaziar a força e o poder da. Inconfidência não vem de hoje. Praticamente todos os governadores de plantão optaram por ignorar o alcance e poder da emissora. Motivo: direcionar recursos para a mídia particular
    Uma espécie de cala a boca. Falo com a experiência de quem já ocupou a direção de jornalismo e/ou o microfone sem. Contém com meu apoio

  2. Praticamente todos os últimos governadores de plantão fizeram isso. Ignorar solenemente o poder e o alcance da emissora. Motivo: desviar recursos para as emissoras particulares. Uma espécie de cala boca. Foi com a experiência de que já ocupou a direção de jornalismo e/ou o microfone da rádio em três governos diferentes. Contém comigo na luta.

  3. Alguns destes “causos” estão em um dos meus livros (este ainda inédito, por falta de editor) “As histórias que você não ouviu no Rádio”. Se quiserem, façam contato, via e-mail, que mando um belo exemplo.

  4. Valéria Guerra Mendes

    Lamentável a postura do (des) governo Zema em relação à esta histórica rádio pública, que é um exemplo de fomento à cultura brasileira e um exemplo de jornalismo ético.

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