Jornalistas lançam manifesto em defesa da democracia

Jornalistas mineiros lançam nesta quinta-feira 4/10, às 19h,  na Casa do Jornalista, um manifesto contra o fascismo e pela democracia. O documento que já tem cerca de 150 assinaturas, alerta para o risco que corre o Brasil e em particular as categorias profissionais ligadas à comunicação com a eventual eleição do candidato a presidente Jair Bolsonaro (PSL).

O manifesto não tem caráter partidário nem defende nenhum candidato, mas se posiciona contra o candidato que em palavras e atos defende práticas da ditadura civil-militar (1964-1985). Ele nasceu da preocupação de um grupo de jornalistas veteranos com a ameaça de volta da censura, do arbítrio, do autoritarismo e da repressão que vigoraram na ditadura, quando o exercício da profissão significava risco de prisão, tortura e morte.

“Somos jornalistas. Nosso ofício é trabalhar com a notícia. Notícia pressupõe informação e informação pressupõe democracia”, afirma o manifesto. “Sem informação, as pessoas não têm elementos para fazer suas escolhas. Sem democracia, não têm as informações de que necessitam para fazê-las.”

“Muitos de nós convivemos com a ditadura. Sentimos de perto a força das baionetas. Elas é que determinavam o que podíamos e o que não podíamos divulgar”, afirma outro trecho do manifesto.

“Superamos as trevas. (…) Passados quase 35 anos, as trevas voltam a nos rondar”, continua o documento. “Querem nos calar de novo. Querem, antes de tudo, calar a voz dos que produzem nossa matéria-prima. Querem, calando nossa voz, calar o povo.”

“Não permitiremos.” “Nossas vozes são, com frequência, dissonantes. (…) Em uma coisa, contudo, estamos sempre juntos: não abrimos mão de falar, não abrimos mão de escrever. Com a liberdade que precisamos. Com a liberdade que precisam aqueles a quem nos dirigimos.”

“Em defesa da informação! Em defesa da liberdade e da democracia! Não a Bolsonaro! #Elenão”, encerra o manifesto.

A seguir, a íntegra do manifesto. Clique aqui para ir à página do manifesto no Facebook.

MANIFESTO DOS JORNALISTAS MINEIROS EM DEFESA DA DEMOCRACIA

Somos jornalistas. Nosso ofício é trabalhar com a notícia. Notícia pressupõe informação e informação pressupõe democracia. Sem informação, as pessoas não têm elementos para fazer suas escolhas. Sem democracia, não têm as informações de que necessitam para fazê-las.

Muitos de nós convivemos com a ditadura. Sentimos de perto a força das baionetas. Elas é que determinavam o que podíamos e o que não podíamos divulgar. Nem quando o patrão estava do nosso lado podíamos avançar o sinal. Afinal, não havia escolhas a serem feitas.

Superamos as trevas. Voltamos a respirar. Voltamos a poder informar, mesmo que não de maneira plena. A democracia econômica não acompanhou a política. O povo, contudo, voltou a poder escolher. Por isso, a informação continuou a ser essencial para ele.

Passados quase 35 anos, as trevas voltam a nos rondar. Mal tivemos tempo de por a cabeça para fora, de respirar aliviados, e já querem de novo sufocar a nossa alma, calar a nossa voz, amarrar as nossas mãos.

A ameaça que enfrentamos é grave. Muito grave. Querem nos calar de novo. Querem, antes de tudo, calar a voz dos que produzem nossa matéria-prima. Querem, calando nossa voz, calar o povo.

Não permitiremos. Chega de trevas! Nossas vozes são, com frequência, dissonantes. Nem sempre somos um coro afinado. Nem sempre falamos e escrevemos na mesma língua. Em uma coisa, contudo, estamos sempre juntos: não abrimos mão de falar, não abrimos mão de escrever. Com a liberdade que precisamos. Com a liberdade que precisam aqueles a quem nos dirigimos.

Em defesa da informação!

Em defesa da liberdade e da democracia!

Não a Bolsonaro!

#Elenão

 

[4/10/18]

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