Grupo Associados Minas pede a jornalistas que convençam colegas demitidos a parcelar dívida trabalhista

A direção dos Diários Associados vem se reunindo desde o começo da semana com os seus empregados para fazer um pedido inusitado: pretende que os trabalhadores da empresa convençam os colegas que foram demitidos – muitos deles depois de ter o salário ilegalmente cortado em 30% e sem receber direitos básicos como férias e acerto de FGTS – a fazer acordo de parcelamento dos débitos já reconhecidos pela Justiça do Trabalho.

A proposta foi feita pelo diretor-geral do grupo, Zeca Teixeira da Costa, que analisa ainda a possibilidade de os funcionários assinarem um documento em que solicitam aos cerca de 40 ex-colegas que já ganharam ações que aceitem um acordo com a empresa para receber o crédito de forma parcelada.

O grupo Associados Minas, estima o Sindicato, responde a cerca de 300 ações trabalhistas, muitas delas motivadas pela redução salarial. Em abril de 2016 o grupo cortou em 30% o salário de todos os trabalhadores e em dezembro demitiu mais de uma centena deles com os vencimentos e verbas rescisórias reduzidas.

A alegação é que se esse acordo não for feito, o grupo não terá recursos para arcar com suas obrigações a partir do segundo semestre deste ano. Atualmente o grupo deve parte do 13º salário para todos os editores e gerentes, as férias não são remuneradas desde novembro de 2015, não há o recolhimento do FGTS e o vale-refeição dos trabalhadores da administração está suspenso.

O esdrúxulo comportamento assumido pela direção dos Diários Associados, mais uma vez constrange o trabalhador da ativa, como desfigura o significado do livre acesso à Justiça aos que nela buscam reparação de seus direitos, frustrando, assim, o exercício da cidadania plena.

O diretor do grupo, que também preside o sindicato patronal dos donos de jornais, saites e revistas, disse ainda que pretende mudar vários pontos da convenção para reduzir ações trabalhistas. Ora, não é necessário mudar a convenção, cujas conquistas têm mais de uma década. Basta cumprir o que foi assinado, diga-se de passagem, de comum acordo entre patrões e trabalhadores.

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[30/5/18]

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