Governo ameaça cortar aumento dos trabalhadores da Rádio Inconfidência

A Rádio Inconfidência ameaça cortar a correção de salário e de vale-alimentação concedida aos trabalhadores no mês passado.

A Inconfidência foi a última emissora a pagar o reajuste salarial de 4,57%, retroativo à data-base, conforme previsto na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) assinada em junho. O pagamento foi feito no mês passado. O tíquete alimentação foi reajustado no mesmo índice dado aos demais servidores públicos. E ainda deve o abono salarial de R$ 2.000 previsto no mesmo acordo.

Boatos sobre esse corte começaram a circular na semana passada quando a responsabilidade pelo fechamento da folha salarial foi misteriosamente retirada do setor que sempre executou esse trabalho e passado para terceiros. Em seguida o valor do vale-alimentação – já reajustado desde junho para todos os servidores públicos, mas corrigido para os radialistas e jornalistas da Inconfidência somente mês passado (sem direito a retroativo) – foi creditado na conta dos jornalistas com os valores anteriores ao reajuste.

Mesmo diante de tantos boatos e tensão entre os trabalhadores ninguém da rádio se dignou a dar uma explicação ou ao menos atender os telefonemas e mensagens enviadas pelo Sindicato dos Jornalistas cobrando uma posição oficial da empresa sobre o assunto.

Hoje, depois de uma reunião que decidiu pela paralisação das atividades, após o cumprimento legal das formalidades, os trabalhadores e o sindicato foram conjuntamente na sala da direção administrativa da empresa exigir um esclarecimento. Lá foram informados que existe mesmo a intenção de cortar a reposição das perdas salariais e o aumento do vale-refeição e que a folha de pessoal com esses cortes já está pronta.

Foram informados ainda que há uma outra folha sem os cortes, mas que não se sabe ao certo ainda qual vai prevalecer. Sobre o retroativo da correção salarial (relativo ao período de abril, data-base da categoria, até setembro, data da concessão da reposição salarial), pago em parcela única no salário do mês passado, a empresa informou que pretende descontar esse valor do trabalhador em oito parcelas, caso prevaleça a decisão de cortar o reajuste.

Todas essas decisões arbitrárias foram tomadas pela empresa sem nenhuma transparência, sem nenhuma comunicação prévia ou discussão com os trabalhadores, aliás como tudo que envolve a Rede Minas e Rádio Inconfidências, que vai se fundir para virar a Empresa Mineira de Comunicação.

Como é possível um governo que na campanha pregou o diálogo cortar um reajuste já concedido? Como é possível arquitetar um absurdo desses sem ao menos chamar previamente os trabalhadores e seus sindicatos e explicar o que está acontecendo? Como é possível esconder a elaboração da folha de pagamento para de última hora comunicar aos trabalhadores que o salário do mês vem reduzido? Como é possível deixar de fora os trabalhadores de todas as decisões que envolvem a Empresa Mineira de Comunicação? Cadê o respeito pelos jornalistas e radialistas que já trabalham sob péssimas condições e recebem um salário miserável no fim do mês, um dos mais baixos do mercado jornalístico?

Se há divergências e disputas internas entre grupos não é problema dos trabalhadores. Que resolvam entre eles deixando de fora do fogo cruzado quem faz no peito e na raça a Rádio e a TV.

Essa é a postura que vem sendo adotada pelo governo do estado em tudo que tange a Empresa Mineira de Comunicação e os jornalistas e radialistas da Rede Minas e da Rádio Inconfidência. Uma postura que destoa de tudo que foi pregado durante a campanha eleitoral de 2014.

Mas não vamos aceitar mais esse entre os vários desrespeitos aos direitos dos trabalhadores cometidos pela Inconfidência e Rede Minas.

Os trabalhadores da Rádio Inconfidência e da Rede Minas estão se mobilizando contra os antigos problemas nas duas emissoras públicas e os novos, provocados pela criação da Empresa Mineira de Comunicação.

Baixos salários, jornada de trabalho excessiva e acúmulo de funções são alguns dos problemas antigos. A criação da EMC, que juntou as duas emissoras, e a mudança para a Estação da Cultura Presidente Itamar Franco geraram novos problemas. O ar condicionado e o carpete da nova sede estão provocando problemas de saúde nos funcionários. E até o estacionamento, localizado em área pública, é muito caro.

No mês passado, o Sindicato dos Jornalistas distribuiu questionário aos trabalhadores para levantar a situação de todos os funcionários das duas emissoras.

Os trabalhadores da Rede Minas reivindicam a redução da jornada de trabalho.

Os trabalhadores da Rádio Inconfidência reivindicam o pagamento do abono acordado na CCT e pago em governos anteriores.

Reivindicam também pagamento por acúmulo de funções e gratificação por desenvolverem funções multimídias.

Querem também participar da discussão do Plano de Carreira e do Estatuto da EMC, da qual até agora foram excluídos.

Querem a instalação da Cipa e a solução dos problemas com o ar condicionado e direito a usar o estacionamento ocioso do prédio onde funciona a EMC

Quinta-feira será feita uma assembléia deliberativa com indicativo de greve na porta da EMC.

#LutaJornalista

#RespeitoaosTrabalhadores

#CortedeAumentoéAbuso

#NãoVamosAceitar

[2/10/17]

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Um comentário

  1. Ana Lúcia Figueiredo

    A sociedade mineira reconhece a importância da Rede Minas e Rádio Inconfidência. Os comunicadores são altamente qualificados, prestam grandes serviços. Nosso repúdio ao desrespeito do governador Pimentel para com os funcionários da comunicação. Ana Lúcia Figueiredo

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