Jornalistas do Estado de Minas aderem à mobilização contra corte nos salários

Reunidos em assembleia na porta da empresa nesta quinta-feira 15/9, jornalistas do Estado de Minas, Aqui e portal Uai decidiram aderir à mobilização contra a proposta patronal que quer impor uma redução geral nos salários e corte de direitos adquiridos há décadas pela categoria. No próximo dia 22, véspera da próxima reunião de mediação com os patrões no Ministério do Trabalho, os jornalistas vestirão preto e farão nova assembleia.

A mesma decisão foi tomada ontem pelos jornalistas de O Tempo, Super, Pampulha e portal. Amanhã será a vez dos jornalistas do Hoje em Dia realizarem assembleia, às 13h30, na porta da empresa. A mobilização inclui também trabalhadores na administração de jornais e revistas e gráficos. No dia 26, depois da reunião de mediação com os patrões, haverá assembleia geral no Sindicato.

Lista

Os jornalistas do Estado de Minas, Aqui e portal Uai decidiram também não assinar a lista que está sendo passada pela empresa pedindo que o Sindicato retire a ação na Justiça do Trabalho contra o corte ilegal de 30% nos salários, já praticado pela S.A. Estado de Minas.

“O momento é muito grave”, disse o presidente do Sindicato dos Jornalistas, Kerison Lopes. “Se nós não reagirmos, se aceitarmos esse corte de direitos, as consequências atingirão todos os jornalistas de Minas Gerais e do país inteiro”, alertou.

Ele acrescentou que a lista que está sendo passada pela direção da S.A. Estado de Minas expressa o desespero de quem sabe que vai perder a ação na Justiça do Trabalho. Ele contou que o advogado patronal alegou, em reunião no Ministério do Trabalho, que o corte de 30% nos salários foi feito a pedido dos trabalhadores.

“Por isso não podemos assinar nenhuma lista, para que a empresa não a use contra nós”, enfatizou. Ele anunciou que esta prática de assédio da empresa, mais uma numa lista já extensa, também será denunciada ao Ministério do Trabalho.

Almas gêmeas

Kerison lembrou que um representante da S.A. Estado de Minas assumiu a presidência interina do sindicato patronal e que este tem agora um novo advogado, o mesmo que assessora o prefeito afastado e foragido de Montes Claros, Ruy Muniz, proprietário do jornal Hoje em Dia. “É a união dessas duas almas gêmeas que está tentando tirar os direitos adquiridos há décadas pelos jornalistas”, denunciou o presidente do Sindicato.

Ele relatou ainda que a mediadora do Ministério do Trabalho considerou absurda a proposta patronal de corte geral nos salários e retirada de direitos adquiridos. “A mediadora disse aos representantes dos patrões que, em décadas atuando no Ministério do Trabalho, nunca tinha visto uma coisa assim”, contou Kerison.

A proposta patronal é de reajuste de 3,5% nos salários (a inflação da data-base dos jornalistas foi de 9,91%), sem pagamento retroativo à data-base. Além disso, os patrões querem reduzir de 100% para 50% o adicional sobre a 6ª e a 7ª horas extras, uma conquista histórica da categoria. O cálculo do Sindicato é que só isso já reduziria em 23% os salários de todos os jornalistas.

Os patrões querem também reduzir: o adicional noturno de 50% para 20%; o adicional de acúmulo de funções de 30% para 10%, independentemente de quantas funções forem acumuladas, e o adicional não aplicará a serviços de mídia digital; a garantia de emprego após a assinatura da Convenção Coletiva do Trabalho (CCT) de 90 para 30 dias; e de 50% para 10% a multa pelo descumprimento da CCT.

 

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