Geraldo Elísio lança “Baú de repórter”, livro de memórias do jornalismo

O jornalista Geraldo Elísio lança nesta terça-feira 20/9, a partir das 19h, no Museu Inimá de Paula o livro “Baú de repórter – memórias do jornalismo analógico”. Jornalista com mais de 50 anos de experiência e passagem por diversos veículos de Belo Horizonte, Pica-pau, como também é conhecido, conta histórias e bastidores de reportagens que produziu desde sua iniciação na profissão, aos 16 anos, em Curvelo, sua terra natal. O título do livro é uma referência indireta à nova fase do jornalismo, digital, do qual o autor é entusiasta. Ele participou do perseguido saite de notícias Novojornal e atualmente mantém a página Estação Liberdade, no Facebook.

Reconhecido repórter investigativo e de política, Pica-pau começou no entanto como narrador esportivo na Rádio Clube de Curvelo e chargista do mensário Curvelo Notícias. “Precisei de pouco tempo para compreender que não tenho o talento dos editorialistas do traço”, confessa o jornalista, que firmou-se como locutor esportivo. De Curvelo mudou-se para Sete Lagoas, e pela Rádio Cultura local, de 1963 a 1969, narrou jogos como as duas preliminares na inauguração do Mineirão, em 1965. “E fui repórter de campo no jogo principal, Seleção Mineira 1 x River Plate 0, gol de Blougleux, de pênalti”, lembra Pica-pau.

De Sete Lagos, Pica-pau transferiu-se para a capital, onde trabalhou inicialmente no Diário Católico, na Rádio Itatiaia e no Jornal de Minas. Trabalhou também no Estado de Minas e, como frila, nas extintas tevês Itacolomi e Manchete, na revista Manchete, também extinta, e na TV Bandeirantes. Foi ainda roteirista e diretor de cinema. No governo Newton Cardoso (1987-1990), foi secretário de estado da Cultura.

Prêmio Esso

Pica-pau orgulha-se de ter ganhado o Prêmio Esso de Jornalismo em 1977 pela cobertura do célebre Caso Jorge Defensor, conjuntamente com equipe do jornal Estado de Minas formada por Tito Guimarães Filho, Alberto Sena Batista, Sidney Lopes e Francisco Stheling Neto. Suspeito de furto, o operário Jorge Defensor foi torturado pela polícia civil até perder o movimento das pernas. No livro, Pica-pau mostra como a denúncia corajosa do operário escapou ao controle dos poderosos da época e revelou ao Brasil que a prática de tortura era corriqueira nas delegacias e não atingia apenas presos políticos.

“Baú de repórter” rememora a vinda do papa João Paulo II a Belo Horizonte, uma entrevista exclusiva com o presidente general Ernesto Geisel, a campanha Diretas Já e a eleição de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, a agonia e morte do presidente eleito mas não empossado. A política ocupa espaço importante no livro publicado pela Neutra Editora, que tem 320 páginas e é ilustrado por fotografias.

“Eu foco na análise do golpe de 64”, conta Pica-pau, que recupera um fato pouco lembrado, mas que foi assunto de uma série de reportagens publicadas pelo Estado de Minas em 1977: o plano de militares para assassinar o então presidente João Goulart. O furo foi obtido numa entrevista com o general José Lopes Bragança, comandante da ID-4 na época do golpe, que documentou com sua assinatura o depoimento ao jornalista.

SERVIÇO

Lançamento do livro “Baú de repórter – memórias do jornalismo analógico”.

Data: 20/9/16, terça-feira

Horário: 19h

Local: Museu Inimá de Paula (Rua da Bahia, 1.201, esquina com Avenida Álvares Cabral)

 

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Um comentário

  1. Bravo Pica-Pau.É preciso mostrar as novas gerações como o jornalismo era feito, sem essa de google e xerox . Eu me lembro bem de seu atrevimento na apuração e na cobertura diária, desafiando a repressão, às vezes com fina ironia e um sorriso indisfarçável.
    Lana

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