Artesãos de reciclados organizam-se para expandir e aprimorar seu trabalho

Artesãos belo-horizontinos que usam materiais reciclados fundaram a associação Eco Ações Unidas para aprimorar e expandir seu trabalho. A associação já conta com cerca de 25 filiados, alguns dos quais mostraram suas criações no Sindicato dos Jornalistas, durante o Bazar do Jornalista e Feira de Reciclados, realizado no sábado 10/9.

A Eco Ações Unidas nasceu do encontro do artista plástico Leo Piló com a Associação dos Artesãos do Bairro Boa Vista, fundada pela artesã Elizabeth Rosa. Artista preocupado com o meio ambiente, Leo Piló tem vasta experiência em materiais reciclados. Como carnavalesco, ele usou sua técnica com reciclagem para criar as fantasias e adereços do enredo “Sou do Samba, sou Cidade Jardim, sou Minas Gerais!” que homenageou o Clube da Esquina, no carnaval de 2016. “Nossas preocupações são bem definidas e vão muito além dos produtos, são com a ecologia e com a natureza”, explicou.

Para ampliar sua atuação, a Eco Ações Unidas busca parcerias com empresas e instituições identificadas com sua proposta, como a UFMG, SLU, E-mile (empresa de reciclagem de eletrônicos), Projeto Manuelzão, Asmare e o Santa Leitura (projeto que promove troca de livros na Praça Duque de Caxias, no bairro Santa Tereza).

Feira de Reciclados

O Conservatório UFMG cede espaço para a Feira de Reciclados Eco Ações Unidas, realizada bimestralmente à Rua Guajajaras, nº 100, sempre às quintas e sextas, das 9h às 19h, com grande sucesso. “Calculo em mais mil frequentadores por dia”, informou Leo Piló. A próxima feira está marcada para os dias 13 e 14 de outubro.

Além da exposição dos trabalhados dos artesãos associados, a Feira de Reciclados oferece oficinas e palestras. Para a próxima, estão previstas palestras da Seiva Coletas, única empresa especializada em coleta de vidros da capital, e do Sebrae, sobre o artesão microempreendedor individual, além de quatro oficinas sobre papel, vidro, papel machê e compostagem.

Haverá também um mercado de flores, feitas de papel, pet, pano, latinhas e outros materiais. Uma novidade será uma mesa de escambo, para que os artesãos e artistas possam trocar materiais. Dois artistas plásticos conhecidos pelo uso de materiais inusitados foram convidados a expor seus trabalhos: Rafa Santos e Beto Moreira. “Estamos sempre buscando artesãos e artistas novos”, explicou Leo Piló.

Ele contou que, no começo, a Eco Ações Unidas tinha ênfase muito grande em reciclados e hoje é mais abrangente. “Além de reciclados, queremos trabalhos feitos com amor. Queremos sensibilizar novos públicos, queremos mudar hábitos e costumes nas vidas das pessoas”, disse, acrescentando que a associação está de olho também na comida orgânica.

Outra prova dessa abrangência é a participação da Eco Ações Unidas no Outubro Rosa. “Vamos fazer uma instalação que ficará na portaria da feira, convidando as pessoas a entrar”, anunciou o artista plástico. “No fundo, a feira é um happening”, definiu.

Cheio de projetos para datas específicas, como o presépio de papel, no Natal, Leo Piló planeja a aquisição de um galpão onde os artesãos e artistas possam guardar peças maiores e formar estoques. “Reciclagem é muito acúmulo de materiais que só serão usados mais tarde. Muita coisa nos é ofertada e se não coletamos, perdemos. Mais tarde precisamos daquele material e temos de comprar. Para trabalhar com reciclagem é preciso planejar, é preciso ter estoque”, explicou o artista, que durante dez anos trabalhou com os catadores da Asmare.

Materiais variados

A Eco Ações Unidas atrai artesãos como Wilson Passos, motorista de ônibus aposentado, que constrói pequenas réplicas de aviões, com motor, usando materiais reciclados, como isopor, latinhas, pet, caixas de bombons e restos de brinquedos. “Comecei olhando revistas de aviões, mas hoje já faço de cabeça”, contou o artesão, que leva três dias para montar um jatinho. Seus modelos custam de R$ 40, o mais simples, a R$ 120, o lear jet, com dois motores, farol e pisca-pisca. “Não vivo disso, faço para ajudar o meio ambiente”, disse o artesão.

Maria José do Espírito Santo também começou a confeccionar bolsas de calças jeans preocupada com o ambiente. “São precisos 18 mil litros de água para tingir uma calça jeans”, justificou a artesã. Ela começou costurando uma bolsa para si mesma, há oito anos. Como as amigas gostaram, confeccionou outras e deu de presente. Depois começou a vender e entrou na associação. Ela compra as calças jeans, lava, põe amaciante, corta, faz trançados e por fim costura na máquina, acrescentando forro de cetim, bolsos e fecho-ecler.

Argentino, residente em Belo Horizonte há quinze anos, Daniel Exequiel Duarte cria mosaicos, luminárias, bandejas, potes, porta-chaves e outros objetos feitos com retalhos de vidro, garrafas cortadas, madeira e cerâmicas catadas em construções. O artesanato não é sua renda principal, ele é professor de educação física e terapeuta. Há um ano e meio participa das feiras da Eco Ações Unidas. “Não uso metal, porque não tenho máquinas para trabalhar e não posso fazer barulho, para não incomodar os vizinhos”, contou Exequiel, confirmando as principais dificuldades dos artesãos – espaço adequado para estoque e uso de equipamentos –, que teriam solução com o galpão sonhado por Leo Piló.

Bazar do Jornalista

Realizado pela quarta vez, o Bazar do Jornalista coloca à venda roupas, calçados, bolsas, bijuterias, enfeites e produtos de beleza, além de abrir espaço para a Feira de Reciclados, da Eco Ações Unidas. Ele acontece aos sábados e nesse dia a Casa do Jornalista permanece aberta, das 11h às 17h, inclusive o bar. “É uma confraternização dos jornalistas”, explica a presidente em exercício do Sindicato, Alessandra Mello. “Não tem taxa nem comissão. Os jornalistas trazem seus objetos, vendem, trocam. Às vezes põem um preço alto, depois veem que não dá, no fim tudo é vendido bem barato, a dez, vinte, trinta reais.” Os participantes são responsáveis pela montagem, exposição e venda dos seus produtos.

Na foto, Leo Piló (à esquerda), numa oficina de reciclados da Eco Ações Unidas. Crédito da foto: divulgação.

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3 comentários

  1. Por favor, trabalho com artesanato, como posso fazer parte da Associação Eco Ações Unidas.
    Meu nome é Regina Célia. Cel.031999309850 vivo, ou 985334638.
    Desde já, agradeço. Regina.

  2. gostaria de saber se no dia 19 de setembro poderia contar com um artesão fazendo oficina de artesanato demonstrando como fazer um produto de artesanato reciclado., pois vou fazer uma palestra sobre meio ambiente e gostaria de ter por 40 minutos um artesão demonstrando um trabalho com reciclado.
    Meu telefone é 992276942(031)
    A palestra vai ser no Bairro Paraíso na rua José Lavarine,391
    Meu nome é Nadja Bastos

  3. Parabéns pela iniciativa.
    Queremos fazer doação para a Associação de embalagens diversas para que sejam transformadas em material para educação, lazer e cultura de pessoas carentes. Favor entrar em contato conosco no whatsapp (31) 99567-5454
    Marcial Mendes

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