Congresso aprova propostas para orientar atuação do Sindicato e da Fenaj

O 14º Congresso dos Jornalistas de Minas Gerais, realizado no último fim de semana em Belo Horizonte (29 e 30/4/16), aprovou propostas para orientar a atuação do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Nele também foram eleitos os delegados que participarão do 27º Congresso Nacional dos Jornalistas, marcado para agosto, em Goiânia.

São seis os delegados: os jornalistas Verônica Pimenta, Daniel Camargos, Aloísio Morais e Hugo Pirez, o estudante Carlos Cox, da PUC-Minas, e o presidente Kerison Lopes, delegado nato, de acordo com o Estatuto do Sindicato. Apresentadas na forma de teses, as propostas aprovadas foram defendidas pelos jornalistas José Milton Santos, Eduardo Motta, Adriano Boaventura, Hugo Pirez, Alessandra Mello e Verônica Pimenta.

Unidade e mobilização

Em nome da diretoria do Sindicato, Verônica apresentou a tese “Jornalismo em tempos de crise: unidade e mobilização”. O documento analisa o cenário de crise da profissão no contexto da crise econômica e propõe a unificação das lutas dos jornalistas brasileiros pela Fenaj como condição para superar a situação atual. A tese apresentou três propostas específicas: 1) unificação das campanhas salariais; 2) construção de uma metodologia para luta pelo piso salarial nacional; 3) retomada da mobilização pelo Conselho Federal de Jornalistas.

Também em nome da diretoria, o professor José Milton Santos defendeu a tese “O ensino de Jornalismo e os desafios às futuras gerações profissionais”. A tese recapitula as transformações no ensino do Jornalismo, em especial as conclusões do Seminário Nacional de Diretrizes Curriculares do Ensino de Jornalismo, realizado em 1999, e a Resolução nº 01/2013 do MEC, que institui as novas diretrizes para o ensino de graduação em Jornalismo. A proposta é que a Fenaj crie um grupo de trabalho que consolide e atualize as propostas, de forma a subsidiar os projetos pedagógicos dos cursos de Jornalismo no Brasil.

Assessor é jornalista

Eduardo Motta defendeu a tese “Assessor de imprensa é jornalista”, também da diretoria. A tese reafirma a posição sustentada pelos sindicatos e pela Fenaj de que o assessor de imprensa exerce funções de jornalista e como tal deve ser tratado e representado. A questão candente, diante da resistência patronal a negociar com sindicatos de jornalistas, exige o recrudescimento da campanha “Assessor de Imprensa é Jornalista”, pela Fenaj e sindicatos, no entendimento da tese. O documento propõe ainda que o Sindicato e a Fenaj mantenham coletivos de assessores, intensifiquem a filiação sindical e o Enjai (Encontro de Jornalistas Assessores de Imprensa).

O jornalista Adriano Boaventura defendeu a tese “Só a luta dos trabalhadores é capaz de impedir a retirada dos direitos trabalhistas”. O documento assinala a luta dos jornalistas mineiros, em dezembro de 2015 e primeiros meses deste ano, pelo pagamento do 13º salário, e denuncia os inúmeros projetos em tramitação no Congresso Nacional que visam à retirada de direitos trabalhistas. A proposta feita pelo jornalista, também aprovada, foi de criação de uma campanha nacional em defesa dos direitos trabalhistas.

Precarização e alternativas

O jornalista Hugo Pirez apresentou a tese “Jornalismo e comunicação em tempos de crise”. Ele comentou a crise da grande imprensa e as oportunidades geradas pelas tecnologias digitais e propôs estimular o jornalismo empreendedor, por meio de criação de uma startup de conteúdo jornalístico no ambiente do Sindicato.

A vice-presidente do Sindicato, Alessandra Mello, defendeu a tese “Jornalistas do Brasil, uni-vos”, no qual analisa a “encruzilhada” em que se encontram os jornalistas brasileiros, com as novas alternativas de comunicação e a precarização da profissão. Ela enfatiza a importância fundamental dos sindicatos na organização dos trabalhadores e faz as seguintes propostas: 1) que a Fenaj e sindicatos atuem de forma conjunta; 2) que a Fenaj garanta apoio jurídico aos sindicatos; 3) criação de uma comissão nacional para acompanhar as negociações trabalhistas com os grandes conglomerados de comunicação.

Comunicação pública

A última tese foi apresentada também pela diretora Verônica Pimenta: “Reconhecer a carreira de jornalista e aprimorar políticas públicas de comunicação”. Ela sustenta que os veículos públicos e educativos são patrimônio da sociedade e como tal devem ser defendidos. Ressalta que a atual crise política brasileira demonstrou a necessidade de existência de veículos públicos e argumenta que uma verdadeira política pública de comunicação depende de valorização dos jornalistas.

Diante disso, a tese aprovada propõe que a Fenaj e os sindicatos: 1) liderem uma campanha pela criação da carreira de jornalista do serviço público, nos âmbitos federal, estadual e municipal; 2) retomem a campanha em defesa da comunicação pública e da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC); 3) adotem ações políticas pela criação de sucursais da EBC e pela realização de concursos públicos nas mesmas.

 

Na foto, os delegados mineiros para o 27º Congresso Nacional dos Jornalistas, da esquerda para a direita: Daniel Camargos, Carlos Cox, Aloísio Morais, Verônica Pimenta, Hugo Pirez e Kerison Lopes. (Crédito da foto: Alexandre Carvalho.)

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