Jornalista propõe ‘Aliança pelo Brasil’ para superar crise econômica

As instituições brasileiras dos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – estão derretendo. A crise econômica atingiu o país gravemente em 2015 e vai se repetir este ano, podendo comprometer também 2017. É preciso formar uma ampla aliança, envolvendo cerca de 200 a 250 parlamentares do Congresso Nacional e número igual de personalidades, para liderar um movimento com o objetivo de salvar o Brasil. Esta aliança deve centrar em dois pontos: barrar o impeachment da presidente Dilma Rousseff e mudar a política econômica recessiva que vem sendo posta em prática nos dois últimos anos.

Estas ideias estão sendo defendidas pelo jornalista e economista José Carlos de Assis, que já esteve no Rio de Janeiro, Brasília, Recife e neste fim de semana está em Belo Horizonte. Doutor em Engenharia de Produção pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e professor de Economia Internacional na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Assis é autor de mais de 20 livros sobre economia política, dentre eles “A chave do tesouro: anatomia dos escândalos financeiros: Brasil, 1974-1983”, “Os mandarins da República: anatomia dos escândalos na administração pública, 1968-1984” e “A dupla face da corrupção”.

Com vasta experiência em jornalismo investigativo sobre corrupção, Assis considera a crise atual muito grave e que não poupará ninguém, caso não seja estancada. “2014 não foi tão ruim, mas 2015 foi um ano desastroso, com contração do PIB em 4 a 5%, por força do ajuste do ministro Levy e da operação Lava Jato”, analisa Assis.

Ele avalia que pelo menos 3% dessa contração do PIB se deveu aos efeitos da Lava Jato sobre a Petrobras, que paralisou a cadeia produtiva do petróleo, direta e indiretamente, atingindo 20% da economia nacional. “A Lava Jato parou a Petrobras, parou as empreiteiras e travou a economia”, disse Assis. “A Petrobras representava 80% dos investimentos do Brasil”, explicou.

Ele considera prioridade absoluta a retomada dos investimentos da Petrobras, usando recursos do Tesouro, do BRICS, da China e da pré-venda de petróleo. Esses investimentos devem voltar aos níveis de 2014, puxando a cadeia produtiva do petróleo e com esta outros setores da economia.

Segundo José Carlos de Assis, a viagem do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e de outros procurados aos Estados Unidos, em 2015, mostrou a articulação entre a Operação Lava Jato e o Departamento de Estado. “Não sou adepto da teoria da conspiração, mas Janot não foi aos Estados Unidos em busca de informações, foi dar informações”, observou. Ele acrescentou que o ataque à Petrobras está sendo aproveitado por forças internacionais que se interessam pelo enfraquecimento da estatal.

Para Assis, a superação da crise brasileira passa pela formação de uma frente suprapartidária, envolvendo o Congresso Nacional e personalidades em defesa dos interesses nacionais. Ela acredita que pelo menos 200 a 250 parlamentares são capazes de se mobilizar para defender o Brasil, não apenas garantindo o mandato da presidenta Dilma, contra o impeachment, mas principalmente mudando a política econômica praticada pelo ex-ministro Fazenda Joaquim Levy e pelo atual, Nelson Barbosa.

Assis informou que a “Aliança pelo Brasil” deverá ser lançada em fins de março com um manifesto que conterá pontos precisos para a mudança da política econômica. À frente deste documento, além dele próprio, está o economista Luiz Gonzaga Belluzzo. Entre os políticos que participam do movimento está o senador Roberto Requião (PMDB-PR).

 

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