Trabalhadores do Estado de Minas paralisam atividades durante uma hora

Os jornalistas e empregados na administração dos jornais Estado de Minas e Aqui paralisaram suas atividades nesta segunda-feira 21/12 em protesto contra o não pagamento do 13º salário pela empresa. A paralisação durou uma hora e contou com adesão praticamente total dos trabalhadores e participação dos quatro sindicatos: dos jornalistas, dos empregados na administração, dos gráficos e dos radialistas. Pela manhã, os trabalhadores da TV Alterosa também paralisaram o trabalho durante uma hora; a paralisação afetou o jornal da emissora que vai ao ar por volta do meio-dia e precisou veicular notícias antigas. Nesta terça-feira 22/12 novas paralisações serão feitas nos veículos dos Diários Associados.

Durante a assembleia dos trabalhadores na porta do jornal, a vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas, Alessandra Mello, fez um histórico de todas as negociações realizada com a empresa, que já resultaram em 39 reuniões de mediação no Ministério do Trabalho. Ela informou que o Sindicato sempre esteve aberto ao diálogo com o jornal e disposto a negociar, sem abrir mão de direitos trabalhistas. A empresa no entanto não apresentou nenhuma proposta concreta para cumprir seus passivos com os trabalhadores, que incluem, além do 13º, pagamento de férias, tíquete alimentação e plano de saúde.

A mais recente reunião de mediação foi feita na manhã de hoje, na Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE). Participaram dela representantes dos Diários Associados e dos quatro sindicatos. A empresa informou que não tem previsão de pagamento do 13º para os trabalhadores. Diante disso, só restou aos trabalhadores a mobilização. A primeira paralisação foi feita na TV Alterosa, a partir das 10h, por jornalistas e radialistas. Os trabalhadores do Estado de Minas pararam às 13h. Em assembleias, todos manifestaram a mesma disposição de luta e de não aceitar o calote da empresa.

Os quatro sindicatos decidiram ajuizar ainda hoje ações cobrando o pagamento imediato do 13º, com pedido de multa revertida para os trabalhadores.

Nem o décimo terceiro

A reunião de mediação no SRTE foi pedida pelos sindicatos depois de reunião realizada na segunda-feira 14/12 com representantes dos Diários Associados – jornal Estado de Minas, jornal Aqui e TV Alterosa. A empresa deveria apresentar uma proposta de pagamento dos seus passivos trabalhistas que seria levada aos trabalhadores. No entanto, limitou-se a fazer uma exposição das suas dificuldades financeiras e não apresentou nenhuma proposta. Nem mesmo o pagamento do 13º Salário foi garantido.

Segundo os números apresentados pelos Diários Associados, este ano a empresa teve queda de 25% na sua receita e 51% na captação de anúncios. Ela já teria vendido todos os seus ativos, apurando nas vendas R$ 74 milhões. Esse dinheiro, no entanto, não foi usado para quitar seus passivos trabalhistas. A empresa alegou também que não está conseguindo obter novos empréstimos bancários.

Outro item solicitado pelos sindicatos e que não foi apresentado na reunião foi a folha salarial com discriminação dos valores, inclusive dos salários da diretoria.

Diante de tudo isso, os sindicatos solicitaram a mediação do Ministério do Trabalho e convocaram assembleias para hoje. “Embora as empresas do grupo econômico tenham apresentado um esboço financeiro resultante do seu ativo e passivo, estas afirmaram que somente pagariam o décimo terceiros de seus empregados caso lograssem êxito na busca de empréstimos junto às instituições bancárias”, informou o pedido de mediação. Antevendo que os compromissos de pagamento da parcela do décimo terceiro poderiam não ser honrados, os sindicatos pediram urgência na marcação da reunião.

Na reunião na SRTE, na manhã desta segunda-feira, os representantes dos Diários Associados reafirmaram que não podem pagar o 13º e não apresentaram nenhuma proposta concreta. A SRTE solicitou fiscalização da empresa. Os trabalhadores realizaram paralisações e assembleias na TV Alterosa e nos jornais Estado de Minas e Aqui e novamente vão parar nesta terça-feira 22/12.

Trabalhadores da TV Alterosa param também à tarde

Os jornalistas e radialistas da TV Alterosa paralisaram suas atividades nesta segunda-feira 21/12 também no turno da tarde. Para amanhã estão marcadas duas paralisações e assembleias nos mesmos horários em que elas aconteceram hoje, às 10h e às 16h. Também os trabalhadores do jornal Estado de Minas voltarão a paralisar seu trabalho nesta terça, às 13h, a exemplo do que fizeram hoje.

As paralisações acontecem porque os veículos dos Diários Associados não pagaram o 13º Salário. Além disso, têm um passivo trabalhista referente a não pagamento de férias, não recolhimento de FGTS e Previdência, não pagamento de tíquete alimentação e plano de saúde. As paralisações foram decididas em assembleias com adesão praticamente total dos trabalhadores.

Os sindicatos dos jornalistas, dos empregados na administração, dos gráficos e dos radialistas vêm tentando há muito tempo negociar com a empresa. Já foram realizadas 39 reuniões de mediação no Ministério do Trabalho, a última delas nesta segunda 21/12. Os representantes dos Diários Associados não apresentaram nenhuma proposta concreta e não se comprometeram sequer a pagar o 13º.

A paralisação na TV Alterosa, na parte da manhã, prejudicou o funcionamento da emissora. O noticiário que vai ao ar por volta do meio-dia veiculou notícias antigas.

 

Mobilização já dos trabalhadores dos Diários Associados!

Pelo pagamento do 13 salário!

Não ao calote!

Pelo pagamento de todos os passivos trabalhistas!

 

(Foto: A vice-presidente Alessandra Mello fala na assembleia dos trabalhadores do Estado de Minas. Crédito: Bruno Couto.)

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3 comentários

  1. Toda a solidariedade aos trabalhadores! Em diversos casos os patrões só respeitam o silêncio das máquinas!

    Fraga foi gráfico (linotipista)

  2. A empresa não pode deixar os empregos sem o 13 terceiro.
    Atenção a empresa vai montar a nova impressora e vai mandar muito empregado embora .
    Previsão para montar a máquina começa em Janeiro.
    Fica de olho.

  3. Fico triste por todos os excelentes profissionais que lá estão. Muitos dos quais trabalhei por bastante tempo.

    Mas o fato é que é uma empresa fadada a fechar as portas. Gerentes incompetentes que não dão valor às equipes e os profissionais que tem em mãos. Superiores ainda mais incompetentes que escolhem posições políticas e troca de favores, em vez de fatos e opiniões.

    Um conglomerado que perde sua credibilidade entre consumidores finais, funcionários e anunciantes. Que perde a essência que Chateaubriand deixou. Nome que sequer é citado lá dentro mais.

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