Corregedor da PM promete rigor na apuração e punição dos culpados pelas violências de 12 de agosto

O corregedor da Polícia Militar de Minas Gerais, coronel Renato Batista Carvalhaes, disse aos presidentes do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, Kerison Lopes, e da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos de Minas Gerais (Arfoc-MG), Leo Drumond, que a apuração da violenta repressão policial que vitimou jornalistas na noite de 12 de agosto, durante protesto contra o aumento das passagens de ônibus na capital, será rigorosa e que os culpados serão punidos.

A comunicação foi feita em encontro na sede do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos e Apoio Comunitário, na sexta-feira 28/8, com a presença da coordenadora do órgão, Nívea Mônica da Silva. Kerison Lopes e Leo Drumond entregaram ofício solicitando providências do governo estadual e cópia do inquérito policial aberto na 1ª Delegacia. O presidente do Sindicato fez um relato detalhado de fatos que evidenciam que fotógrafos e cinegrafistas não estavam na linha de tiro da PM e que a ação policial visou a impedir que eles realizassem seu trabalho de registrar imagens.

O corregedor considerou a denúncia muito importante, pois foi a primeira formalizada e contendo evidências da ação policial. O Sindicato e a Arfoc-MG entregaram fotografias da repressão e se comprometeram também a apresentar um documento amplo de imagens feitas no dia 12 de agosto. Aqueles que possuem imagens ainda inéditas podem procurar o Sindicato para que elas façam parte do documento.

Também presente ao encontro, o fotógrafo Denilton Dias, do jornal O Tempo, relatou a violência de que foi vítima e mostrou os ferimentos que sofreu. Eles foram tão graves que, mesmo atendido imediatamente no Pronto Socorro do Hospital João XXIII e tendo tomado os medicamentos receitados, inclusive antibióticos, mais de 15 dias depois as feridas continuavam abertas e ele se encontrava impedido de exercer suas atividades normais, inclusive profissionais. Denilton voltou ao jornal, mas trabalha apenas internamente.

A procuradora informou que o Centro de Apoio Operacional está empenhado na defesa dos direitos humanos em Minas e que dedicará todos os esforços necessários ao caso. No encontro também foi discutida a realização de uma reunião entre representantes da PM, do Sindicato e da Arfoc-MG com o objetivo de evitar que episódios similares voltem a acontecer.

O presidente Kerison Lopes considerou o encontro muito importante. “O Sindicato denunciou a violência policial na mesma noite em que aconteceu e vem tomando todas as medidas para que os culpados sejam identificados e punidos”, disse. “Ações como essa restringem o livre exercício da profissão e ferem os direitos constitucionais ao trabalho e à informação, não podem ser toleradas”, enfatizou.

Inquérito policial

O ouvidor das polícias de Minas Gerais, Paulo Alckmim, informou o Sindicato dos Jornalistas de que o comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar já foi oficiado para que forneça os nomes dos policiais militares que estavam portando armas na repressão ao protesto contra o aumento das passagens de ônibus. O ofício foi enviado pela Delegacia da Polícia de Belo Horizonte, que solicitou também os números das armas usadas na ação.

A solicitação faz parte do inquérito policial que apura os ferimentos de que foi vítima o fotógrafo Denilton Dias, do jornal O Tempo. Acompanhado do presidente do Sindicato dos Jornalistas, Kerison Lopes, e do ouvidor das polícias, Denilton prestou depoimento na 1ª Delegacia no dia seguinte ao episódio. Ele levou um tiro de bala de borracha à queima-roupa enquanto cobria o protesto, mesmo estando distante dos manifestantes e tendo se identificado aos policiais.

 

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